Funk, Soul, Disco, House, Afro beat. Cinco géneros musicais que podemos identificar nas músicas da banda britânica Sault. Além dos estilos, destaca-se a mestria com que os misturam e criam uma sonoridade muito própria, canções cativantes e ritmos inebriantes que conseguem espoletar ordens, inconscientes, que nos fazem mexer, bater o pé, baloiçar ao ritmo da música.

E pouco mais se sabe sobre esta banda mistério. A nacionalidade do coletivo é britânica, a editora é a Forever Living Originals, têm uma página web e contas nas principais redes sociais, Facebook, Instagram e Twitter, que pouco acrescentam à identidade dos elementos dos Sault. Revelam, contudo, uma atitude interventiva e atenta à sociedade. No post de apresentação do disco, “UNTITLED (Black Is)”, publicado na rede Twitter,  mostram apoio ao movimento Black Lives Matter - que se seguiu à morte de George Floyd, na sequência de brutalidade policial, e revelam que são negros ou de origem negra. É um disco assumidamente de intervenção. O jornal semanal independente “Chicago Reader” chamou ao terceiro álbum dos Sault (o primeiro editado em 2020) a “banda sonora da revolução de 2020”.

A referida publicação no Twitter é a única onde a banda "fala" pela primeira vez com a sua comunidade. Os restantes posts, nas redes onde está presente, resumem-se às fotos das capas dos discos e ao nome de canções que destacam.

Têm já editados 4 discos que chegam até nós ao ritmo alucinante de dois por ano. Os primeiros dois longa duração chegaram em 2019 - “5” e “7”. A pandemia não travou a criatividade do coletivo britânico que editou, este ano, mais dois LPs - “UNTITLED (Black Is)” e “UNTITLED (Rise)”.

Um texto do “The Guardian” sobre o último disco dos Sault dá-nos algumas pistas sobre a identidade dos seus membros, mas o título, contudo, centra-se na essência da banda e destaca aquilo que realmente importa: a música. “Coletivo mistério faz o melhor álbum de 2020, outra vez”. O jornal britânico sublinha o esforço feito pelos Sault para se manterem tão anónimos quanto possível. Nos últimos dois anos, "a música dos Sault aparece vinda do nada. Sem entrevistas, sem fotos, sem vídeos, sem atuações ao vivo, sem página na Wikipedia [entretanto foi criada uma, mas não chega a ter duas linhas completas de informação sobre a banda e limita-se a listar os discos editados] e uma presença nas redes sociais superficial e totalmente não-interativa.”

Uma postura arrogante e pretenciosa? A “Variety” tem uma opinião contrária, mostrando-se rendida ao talento dos Sault: “O anonimato intencional seria irritante ou pretensioso se a música não fosse tão boa e se não estivesse ao serviço de mensagens poderosas e centradas na comunidade negra.”

Mas quem são, afinal, os Sault? O “The Guardian” levanta o véu sobre alguns nomes que se conseguem identificar nas notas técnicas dos discos de vinil. É verdade que não existem referências aos elementos da banda, nem as habituais notas biográficas, mas é possível encontrar nos LPs referências que permitem chegar a, por exemplo, Inflo, referenciado como produtor nos três primeiros discos da banda. Inflo é “mais conhecido como o produtor do disco ‘GREY Area’, de Little Sim [rapper britânico] e co-autor de ‘Black Man in a White World’, de Michael Kiwanuka.” Kiwanuka surge, de resto, como convidado no disco UNTITLED (Black Is), no tema “Bow”, assim como Laurette Josiah, em “This Generation”. Josiah, escreve o “The Guardian” é a fundadora de “uma organização de caridade para as crianças no norte de Londres, e que é, afinal, tia de Leona Lewis [cantora britânica].”

O “Chicago Reader” foi um pouco mais longe e procurou mais dados nos metadados da versão digital de “UNTITLED (Black Is)” e afirma ter identificado que as canções daquele disco foram efetivamente escritas “pelos colegas da editora Forever Living Originals Dean Josiah Cover (também conhecido como o cantor e produtor Inflo) e Cleopatra Nikolic (mais conhecida como a cantora Cleo Sol).” Mas existe mais um nome revelado por aquela publicação: “Melisa Young, também conhecida por Kids Sister, que surge nos metadados como a autora de seis das 20 canções do disco."

Nenhuma destas informações é, contudo, oficial, como refere o “The Guardian”. Especulações sobre os membros dos Sault “não foram confirmadas nem negadas, nem ninguém assumiu a responsabilidade pela música que, até agora, foi recebida com entusiasmo em ambos os lados do Atlântico.”

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