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“Montenegro é um grande copião”. Ventura já tinha dito que se demitiria se não cumprisse promessa sobre pensões?

Política
O que está em causa?
À margem de um jantar-comício do Chega em Guimarães, ontem à noite, André Ventura acusou o rival do PSD de ser um "copião", ao prometer que se demitirá "se algum dia tiver que cortar um cêntimo" numa pensão de reforma. O líder do Chega recorda que já tinha dito algo similar há pouco mais de um mês. Confirma-se?

“Eu nunca vi, numas eleições, um copião tão grande como Luís Montenegro. Nunca vi, é a primeira vez que vejo”, começou por zombar André Ventura, líder do Chega, em declarações aos jornalistas ontem à noite (27 de fevereiro), à margem de um jantar-comício do Chega realizado em Guimarães.

“No Congresso do Chega (…) eu disse que se não conseguir fazer esse aumento das pensões, eu assumo aqui uma coisa: eu demitir-me-ei. E hoje ouvi Luís Montenegro dizer que ‘se tiver que cortar pensões demito-me'”, prosseguiu Ventura, acusando o rival do PSD de “estar a copiar permanentemente as nossas coisas, as nossas ideias e agora até o meu discurso“.

Ora, nesse mesmo dia, no decurso de uma ação de rua da Aliança Democrática (AD) em Portalegre, perante quatro ex-operárias têxteis reformadas que estavam sentadas à mesa de um café, Montenegro prometeu mesmo que se demitiria numa circunstância específica relacionada com as pensões de reforma.

“Vou-vos dizer aqui uma coisa que nunca disse na campanha, vou-vos dizer aqui pela primeira vez, para ser muito claro sobre isso: se eu algum dia tiver de cortar um cêntimo numa reforma, demito-me“, afirmou o líder do PSD e da coligação AD.

Quanto a Ventura, a 14 de janeiro, no último dia da VI Convenção Nacional do Chega, em declarações aos jornalistas começou por salientar: “Eu lancei um grande desafio que é provavelmente o maior da minha vida política. E da minha carreira enquanto dirigente político. Que é, eu disse e não fugi às palavras, disse que em seis anos (…) eu quero que todas as pensões do país, todas, sejam no mínimo iguais ao salário mínimo.”

Ao discursar ontem no comício da AD em Faro, o ex-líder do PSD avisou que "precisamos de ter um país aberto à imigração, mas cuidado que precisamos também de ter um país seguro". Referiu depois que "hoje as pessoas sentem uma insegurança", em sugestão implícita de que isso resulta do aumento da imigração. Nas redes sociais também se interpreta como uma ligação entre imigração e criminalidade.

Posto isto, prometeu: “Se formos Governo e se em seis anos as pensões não forem iguais ao salário mínimo, eu afasto-me do cargo de Primeiro-Ministro. (…) Se isto não for conseguido, leiam as minhas palavras, demito-me do cargo de Primeiro-Ministro.”

Esta garantia sobre as pensões foi entretanto inscrita no programa do Chega para as eleições legislativas de 2024, no qual se propõe “aumentar a pensão mínima de forma a igualar o valor ao salário mínimo nacional (SMN), ou seja, que nenhum idoso tenha rendimento inferior a 820 euros, devendo numa primeira fase igualar-se ao valor do IAS e, posteriormente, ao valor do SMN”.

Em suma, a cópia da ideia (e forma retórica) de se demitir no caso de não cumprir uma promessa relacionada com os pensionistas é evidente. No entanto, o facto é que as promessas são distintas: Montenegro assegura que não vai “cortar” nem “um cêntimo” nas pensões; Ventura diz que todas as pensões terão um valor mínimo equivalente ao salário mínimo nacional (sem indicar qual será o custo da aplicação integral dessa medida) no prazo de seis anos.

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Avaliação do Polígrafo:

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