"Hoje é feriado, mas nem sempre foi assim". Os bloquistas recordam, num "post" publicado hoje a propósito do 1 de Dezembro, que, em 2012, "o Governo das direitas cortou quatro feriados". Em causa a expectativa de que tal medida "aumentaria a produtividade".

"Mas já então sabíamos que não há relação entre a redução do tempo de descanso e o aumento de produtividade. 'Portugal tem feriados a mais', dizia à época Passos Coelho, apesar de sermos dos países europeus com menos feriados. Luís Montenegro, então líder do Grupo Parlamentar do PSD, dizia que a reposição do feriado do 1 de dezembro 'não se coloca e não é uma prioridade'", continua o Bloco de Esquerda, que aponta que foi em conjunto com outros partidos que, em 2016, "apresentou e viu aprovada a reposição dos feriados roubados pela direita".

Quanto a Pedro Passos Coelho, é verdade que o então Primeiro-Ministro garantia aos portugueses, já em 2011, que o país tinha "demasiados" feriados, mas será possível que também Luís Montenegro tenha dito que a sua reposição não era uma "prioridade"?

Em maio de 2012, com uma alteração ao Código do Trabalho, o 1.º de Dezembro foi apagado da lista de feriados obrigatórios (com ele o 5 de Outubro, o Corpo de Deus e ainda o Dia de Todos os Santos). Dois anos depois, quando a esquerda já pedia à Assembleia da República a reposição de pelo menos duas datas (1 de Dezembro e 5 de Outubro) e o próprio CDS-PP tornava prioridade de discussão interna o feriado de 1 de Dezembro, Luís Montenegro, então líder parlamentar do PSD, mantinha-se ao lado de Passos Coelho.

Para o atual líder dos sociais-democratas, repor o 1.º de Dezembro não se "colocava" e não era "uma prioridade". Montenegro justificava-se com o facto de a lei aprovada em 2012 prever uma revisão apenas passados cinco anos, ou seja, em 2017. Para mais, "do ponto de vista da maioria, no parlamento e do Governo", não havia "nenhuma intenção de promover uma alteração neste domínio", referiu aos jornalistas no final de uma cerimónia, a 4 de dezembro de 2014, na Assembleia da República.

______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.