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Moedas recusou hastear bandeira trans por respeito ao “local onde se implantou a República” mas acaba de hastear bandeira em homenagem ao “santo casamenteiro”?

Política
O que está em causa?
Por ser um "institucionalista", há um ano Carlos Moedas não hasteou a bandeira trans nos Paços do Concelho, em Lisboa. Agora, foi lá que hasteou pela primeira vez uma bandeira em homenagem a Santo António, o "casamenteiro".

Há pouco mais de um ano, a 31 de março de 2023, a propósito do Dia da Visibilidade Trans, uma bandeira azul, rosa e branca foi hasteada nos Paços de Concelho, em Lisboa, contra a vontade de Carlos Moedas, que dois dias antes dissera ao Público que era um “institucionalista”. Primeiro, disse ao “Público“:”Não podemos andar num percurso de continuar a pôr aqui bandeiras na nossa câmara.” E depois: “Penso que há um respeito que temos que ter, que é a instituição. Ou temos aqui um critério, de que tipo de bandeira e quando. Se não, podíamos ter todos os dias diferentes bandeiras de diferentes causas”, argumentou ao “Expresso“.

A menção à bandeira LGBTQIA+, que Moedas hasteara em 2022 e voltaria a hastear em maio de 2023, era clara: para o autarca, o arco-íris era mais do que suficiente para representar o respeito pela “luta pela liberdade” desse grupo. Agora, Moedas é criticado nas redes sociais por decidir hastear uma bandeira em homenagem ao “santo casamenteiro“, a dois dias das celebrações de Santo António, em Lisboa.

“A transfobia de Carlos Moedas explicada numa imagem”, escreve-se num “tweet” partilhado esta tarde que, na verdade, recorre a dois recortes para mostrar uma suposta “incoerência” do presidente da Câmara de Lisboa. É que, esta manhã, a autarquia partilhou o seguinte “tweet” na rede social X: “A bandeira de Santo António foi hasteada nos Paços do Concelho pela primeira vez. Uma homenagem ao santo casamenteiro, mas também a todos os cidadãos de Lisboa: os que aqui vivem e aqui trabalham.”

Desta vez, Carlos Moedas deixou de lado o “institucionalismo” e hasteou uma bandeira, preta e branca com uma cruz vermelha ao centro, onde se lê “Santo António de Lisboa”. O autarca posou alegremente na varanda ao lado da bandeira e partilhou as fotografias no antigo Twitter, onde colheu mais críticas que elogios: “Não se cansam de cair no ridículo?”; “E a bandeira trans? Consta que perdeu a votação. Não é um democrata?”; “Bacoco(quice)”.

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Avaliação do Polígrafo:

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