Este domingo, em entrevista à SIC, Carlos Moedas lamentou o “aproveitamento político” que resultou do descarrilamento do elevador da Glória, em Lisboa, e garantiu que só se demite quando alguém provar que houve um “erro político”.
“Se alguém provar que Carlos Moedas não deu as condições a essa empresa, que o orçamento da empresa diminuiu, se alguém provar que essa empresa não investiu em novo equipamento e se alguém provar que a empresa diminuiu o nível de manutenção, então aí há responsabilidade política (…). Se alguém provar que alguma ação que tenha tido, algo que tenha feito como presidente da Câmara, levou a que esta empresa não gastasse o suficiente em manutenção, eu demito-me no dia”, afirmou.
Em números, o autarca destacou que os custos com a manutenção da Carris aumentaram 30% no seu mandato, que começou em outubro de 2021 e pode renovar-se no próximo mês. O número já mudou desde a última vez que Moedas falou neste indicador, numa carta enviada aos trabalhadores da Carris, em que disse que os custos de manutenção aumentaram 25%. Ao “Público“, o presidente da CML explicou que em causa estavam os montantes globais – e não apenas os que dizem respeito aos elétricos, onde se incluem os elevadores.
A verdade é que mesmo tendo em conta os custos de manutenção totais (com autocarros e elétricos), segundo o “Relatório e Contas” de 2021 e 2024 da Carris, estes aumentaram de 20,73 milhões de euros para os 24,6 mihões de euros, um crescimento de 18,8%, longe dos 30% mencionados.
Já no que respeita à frota e infraestruturas elétricas, em 2021 a Carris teve cerca de 5,13 milhões de euros de custos de manutenção, enquanto que em 2024 o valor gasto foi cerca de 4,9 milhões. Ou seja, uma diminuição que, embora não muito significativa, não sustenta o argumento de Moedas.
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