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Miranda Sarmento: “Portugal é o país da Coesão que menos vai crescer nos próximos quatro anos”

Política
O que está em causa?
Num debate entre os cabeças-de-lista do PS e da AD por Lisboa, Joaquim Miranda Sarmento criticou a "aversão" dos socialistas às reformas que considera serem necessárias e que resultam num fraco crescimento económico face aos restantes países dos Fundos de Coesão da União Europeia. Confirma-se que, até 2028, Portugal será o país com menor crescimento acumulado?

Mariana Vieira da Silva e Joaquim Miranda Sarmento debateram ontem à noite na CNN Portugal e as acusações de parte a parte no que diz respeito aos crescimento económico, classificado pelo candidato social-democrata como “poucochinho”, geraram momentos de maior tensão.

“Portugal é o país da Coesão que menos vai crescer nos próximos quatro anos”, destacou o cabeça-de-lista da AD por Lisboa.

Mas será mesmo assim?

De acordo com um relatório do Fórum para a Competitividade de abril de 2022, a partir de cálculos feitos com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), só Espanha deveria ter um crescimento menor do que Portugal até 2027, entre os países da Coesão.

No entanto, estas projeções remontam a 2022 e há dados mais recentes do FMI. Com base no último relatório “World Economic Outlook“, publicado em outubro de 2023, confirma-se que Portugal é dos países que menos irá crescer nos próximos anos, mas estima-se que a Grécia deverá crescer ainda menos.

Segundo os dados do FMI, prevê-se que a Grécia cresça 1,1% em 2028, enquanto que Portugal crescerá 1,9%. Nos anos anteriores, o crescimento do PIB será de 1,4% (2026) e 1,2% (2027) no caso da Grécia; e de 2% (2026) e 1,9% (2027) em Portugal.

Analisando o crescimento para os anos de 2023, 2024 e 2025, verifica-se ainda que, segundo dados da Comissão Europeia, o crescimento da Grécia é de 2,4% (2023), 2,3% (2024)e 2,2% (2025). Ao passo que o de Portugal é de 2,2% (2023), 1,3% (2024) e 1,8% (2025).

A média de crescimento no período de 2023 a 2028 é assim de 1,8% para a Grécia e 1,9% para Portugal.

Contactado pelo Polígrafo, Miranda Sarmento explica que as contas têm de ser feitas a partir da “base 100” (um conceito estatístico em que para simplificar o valor de referência de um determinado ano, por exemplo, se fixa essa base em 100) para os dois países em 2022.

A partir daí, utilizou os dados da Comissão Europeia para 2023, 2024 e 2025 e do FMI para os restantes anos. As suas contas resultam num crescimento de 110,65 para a Grécia e 111,13 para Portugal.

Embora a diferença seja residual, não se confirma a alegação de que Portugal será o país da Coesão que menos vai crescer nos próximos anos. O líder da bancada parlamentar do PSD justifica que “é praticamente igual” tendo em conta a diferença e acrescenta que “utilizando base 100 só em 2028 é que Portugal ultrapassa a Grécia, até 2027 a Grécia está à frente”.

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Avaliação do Polígrafo:

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