"Se entre 2000 e 2015 houve três países que ultrapassaram Portugal, no seu Governo, de 2016 a 2021, houve mais três [países] que ultrapassaram Portugal. E há mais dois que se preparam para ultrapassar. O que significa que o seu Governo ficará marcado por cinco países que nos ultrapassaram em termos de PIB [Produto Interno Bruto] per capita", afirmou o deputado Joaquim Miranda Sarmento, líder da bancada parlamentar do PSD, no debate desta tarde com o primeiro-ministro António Costa na Assembleia da República.

Estas alegações têm fundamento?

De acordo com os dados compilados pelo Eurostat, ao nível do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, em Paridades de Poder de Compra (PPC), Portugal baixou de 78% da média da União Europeia (com 27 Estados-membros, excluindo desde logo o Reino Unido que deixou de ser membro em 2020) em 2015, quando António Costa assumiu o cargo de primeiro-ministro, para 74% em 2021.

Entre os atuais 27 Estados-membros, Portugal ocupava a 17ª posição em 2015, tendo caído para a 21.ª posição em 2021.

Aprofundando a pesquisa nos dados do Eurostat, de forma a recuar até 2001, verificamos que nesse ano Portugal registava 84,1% da média da União Europeia (com os atuais 27 Estados-membros).

Encontrava-se assim na 15.ª posição, à frente (por ordem decrescente) da Eslovénia, Malta, República Checa, Hungria, Eslováquia, Croácia, Polónia, Estónia, Lituânia, Letónia, Bulgária e Roménia.

Importa aqui salientar que 13 países ainda não eram membros da União Europeia em 2001.

Ora, apenas em 2004 é que entraram Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e República Checa. Por sua vez, a Bulgária e a Roménia passaram a integrar a União Europeia em 2007, ao passo que a Croácia só avançou em 2013.

Em 2021, Portugal caiu para a 21.ª posição do ranking do PIB per capita (em PPC), tendo sido ultrapassado por seis países na comparação direta com 2001.

A saber: Eslovénia (14.ª posição), Malta (11.ª posição), República Checa (13.ª posição), Hungria (20.ª posição), Polónia (19.ª posição) e Lituânia (15.ª posição).

Entretanto, o jornal "Expresso" (edição de 25 de novembro) noticiou que "a confirmarem-se as mais recentes previsões de Outono da Comissão Europeia, 2024 ficará para a história como o ano em que a Roménia - outrora o mais pobre dos atuais 27 Estados-membros - ultrapassará Portugal no ranking de desenvolvimento económico da União Europeia".

"Os romenos deverão ascender ao 19.º lugar deste ranking, com o PIB per capita a convergir para 79% da média europeia. Os portugueses voltarão a cair, para 20.º lugar, com um PIB per capita equivalente a 78,8% da média europeia. E com húngaros e polacos no seu encalço", detalha-se.

"A Comissão Europeia costuma usar este indicador do PIB per capita para repartir os fundos europeus em função do nível de desenvolvimento das regiões europeias face à média da UE27. Mas convém alertar para as constantes revisões, devido às margens de erro estatísticas associadas a este indicador expresso em paridades de poder de compra. Em causa está uma espécie de conversor monetário que serve para eliminar as diferenças nos níveis de preços entre países, de modo a se poder comparar a riqueza que cada Estado-membro consegue criar por habitante", sublinha o referido jornal.

De acordo com o boletim de Previsões Económicas de Outono da Comissão Europeia, o crescimento do PIB de Portugal, após um aumento substancial de 6,6% em 2022, deverá abrandar nos dois anos seguintes: +0,7% em 2023 e +1,7% em 2024.

Por seu lado, o crescimento do PIB da Roménia, após um aumento substancial de 5,8% em 2022, deverá abrandar (embora não tão acentuadamente como o de Portugal) nos dois anos seguintes: +1,8% em 2023 e +2,2% em 2024.

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