"Nós temos em Portugal 442 polícias por 100 mil habitantes. No caso da Espanha há 369 polícias por 100 mil habitantes, em França 322 polícias, na Alemanha 301 polícias. E um país que é dos mais avançados da Europa, a Finlândia tem 135 polícias por 100 mil habitantes. Temos quatro vezes mais polícias do que a Finlândia", afirmou José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, no dia 25 de julho, ao visitar o comando operacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Lisboa.

O contexto: na sequência da notícia de que a maior esquadra da PSP na cidade do Porto só funcionou entre sábado e domingo a partir das 16 horas, devido à falta de agentes, o ministro da Administração Interna decidiu visitar os comandos operacionais da PSP de Lisboa e do Porto, para reunir com as chefias. Também reuniu com o Conselho Municipal de Segurança de Lisboa e com o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira.

Na referida ocasião ainda em Lisboa, embora tenha relativizado a escassez de recursos humanos patente na PSP, Carneiro não deixou de indicar que "há dimensões do atendimento que hoje estão a absorver recursos policiais e que podem ser desenvolvidos noutras estruturas. Tenho já, da parte do senhor presidente da Câmara Municipal do Porto, a disponibilidade para protocolar com o Ministério da Administração Interna os termos em que se pode fazer atendimento quando o cidadão perde os seus documentos, quando sentiu que tem um animal de companhia que também desapareceu". Também anunciou "o recrutamento de mais 1.020 polícias" e a possibilidade de lançar "até outubro, novembro, (...) mais um concurso de reforço de polícias".

Mas no que respeita à comparação com a Finlândia, os números indicados estão corretos?

De acordo com os últimos dados recolhidos pelo Eurostat, gabinete de estatística da União Europeia, em média no período entre 2018 e 2020, Portugal destaca-se como o quinto país com mais agentes de polícia por 100 mil habitantes (i.e., em proporção da respetiva população) entre os Estados-membros da União Europeia, superado apenas por Chipre, Grécia, Croácia e Malta.

Com um total de 445,1 agentes da polícia por 100 mil habitantes (um número muito próximo do indicado pelo ministro da Administração Interna), neste indicador Portugal está muito acima da média da União Europeia (333,4 agentes da polícia) e da Finlândia que se destaca no extremo oposto do gráfico, com apenas 134,1 agentes da polícia em proporção da respetiva população. Na média entre 2018 e 2020, voltamos a sublinhar.

No entanto, com base nestes dados do Eurostat, o facto é que a diferença entre Portugal e a Finlândia não chega exatamente ao nível de "quatro vezes mais" (134,1 corresponde a cerca de 30,1% de 445,1, não a 25%). Aliás, mesmo utilizando os números indicados por Carneiro (com ligeiras diferenças relativamente aos do Eurostat) chegamos à mesma conclusão (cerca de 30,5%, não 25%).

O Eurostat ressalva que "poderão existir diferenças entre os países sobre que empregos são contabilizados como agentes da polícia, devido a variações na forma como cada país organiza as autoridades policiais".

Em sentido inverso, no que concerne à percentagem de mulheres entre os agentes da polícia, Portugal regista o nível mais baixo na União Europeia, com apenas 8,4%, seguindo-se a Itália (8,7%) e a Bulgária (11,6%).

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