"Se considerarmos o mau uso do fogo, com o uso de máquinas agrícolas ou florestais, estamos a falar de mais de 70% das causas dos incêndios florestais tidos até agora no país". Os dados foram avançados a 12 de julho pelo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, que os utilizou como base para lançar o alerta: "A sensibilização, a informação e o comportamento responsável são absolutamente indispensáveis para vencermos e enfrentarmos esta conjugação de fatores."

Nessa altura, o Polígrafo contactou o Ministério da Administração Interna (MAI) e pediu informação sobre a origem dos dados em causa. Na resposta, fonte oficial do MAI indicou que "a afirmação do ministro resulta dos dados do relatório provisório de incêndios rurais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para o período de 1 janeiro a 11 de julho", onde consta que "66% dos incêndios ocorridos este ano resultaram do uso do fogo (queimadas para gestão de pasto, queimadas de sobrantes, queimas de amontoados; queimas de lixo; realização de fogueiras" e "4% dos incêndios são resultado do uso de maquinaria".

Trata-se do "2.º Relatório Provisório de Incêndios Rurais de 2022 (1 de janeiro a 15 de julho)" que só foi publicado a 19 de julho na página do ICNF. "Do total de 6.164 incêndios rurais verificados no ano de 2022, 4.199 foram investigados e têm o processo de averiguação de causas concluído (68% do número total de incêndios - responsáveis por 28% da área total ardida)". Destes, "a investigação permitiu a atribuição de uma causa para 2.942 incêndios (70% dos incêndios investigados - responsáveis por 24% da área total ardida)", revela-se no documento.

Até ao dia 15 de julho, entre os incêndios que foram investigados (e aos quais foi atribuída uma causa, 2.942 no total), as causas mais frequentes foram as queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (28%) e as queimadas para gestão de pasto para gado (19%). "Conjuntamente, as várias tipologias de queimas e queimadas representam 62% do total das causas apuradas. Os reacendimentos representam 4% do total das causas apuradas, um valor inferior face à média dos dez anos anteriores (11%)".

Quanto aos acidentes por uso de maquinaria, estes representaram também 4% do total dos fogos com causas atribuídas. Já no que respeita a incendiarismo, 14% dos incêndios foram atribuídos a indivíduos imputáveis e 9% tiveram outras causas apuradas.

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Contas feitas, a partir dos dados do ICNF (obtidos com base no Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais), foram 63% os incêndios que tiveram origem em queimadas para gestão de pasto, queimadas de sobrantes, queimas de amontoados queimas de lixo e realização de fogueiras. A este valor somam-se os 4% provocados por uso de maquinaria, o que resulta num total de 67% de incêndios com origem negligente, uma percentagem não muito distante da que foi indicada pelo ministro da Administração Interna.

A declaração de Carneiro é assim classificada como verdadeira, mas não totalmente rigorosa.

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