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Ministra do Ambiente: “Temos perdas de 35% ao nível nacional” nas redes de abastecimento de água

Ambiente
O que está em causa?
Em entrevista ao jornal "Público", a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, alertou para o problema do desperdício de água nas redes de abastecimento. "Eu sei que é uma coisa invisível, mas é muito urgente. Temos perdas de 35% ao nível nacional e 30% no Algarve", declarou. Verificação de factos.
© Agência Lusa / Filipe Amorim

O Governo anunciou esta semana um reforço de 103 milhões de euros nos investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para o setor da água no Algarve. Já estavam previstos 237 milhões de euros que “correspondem a mais 76 hectómetros cúbicos de água disponível”, indicou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em entrevista ao jornal “Público”, sublinhando que “estes projetos são vitais” e têm um prazo de conclusão até 2026.

Para a ministra do Ambiente, “não é já uma questão só do financiamento vir ou não vir para Portugal. É uma questão de ter ou não ter água“. Nesse sentido defendeu que “a primeira prioridade é poupar, a segunda é reutilizar, e a terceira aumentar a capacidade das instalações que existem”.

No topo das prioridades sobressai o desperdício de água. “Eu sei que é uma coisa invisível, mas é muito urgente. Temos perdas de 35% ao nível nacional e 30% no Algarve. Se conseguíssemos reduzir as perdas para metade ou para 10%, ganhávamos muito”, disse Graça Carvalho, apontando para os projetos de reabilitação da rede urbana de água.

A percentagem indicada de perda de água tem fundamento?

De acordo com a última edição do Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2023), com dados referentes a 2022, o serviço de abastecimento público de água tem perdas anuais de cerca de 184 milhões de metros cúbicos.

O indicador de perdas reais registou o valor mais baixo dos últimos cinco anos para as entidades gestoras em baixa (abastecimento ao consumidor final) mas, ainda assim, a avaliação é mediana, por se perder por ano 162,2 milhões de metros cúbicos de água na rede.

Somando as perdas no setor em alta (que faz a ligação às entidades gestoras), de cerca de 21,5 milhões de metros cúbicos, resulta em 184 milhões no total.

“No conjunto de entidades gestoras que prestam serviços em alta, a água não faturada tem representado ao longo dos últimos anos uma pequena percentagem da água entrada no sistema, próxima dos 5% (limite para uma qualidade do serviço boa), tendo-se mantido relativamente estável”, informa-se no relatório.

Quanto aos serviços em baixa, a percentagem de água não faturada tem vindo a decrescer ligeiramente ao longo dos últimos anos, fixando-se nos 27,1% em 2022.

Em conjunto (serviços em alta e baixa), no ano de 2022 registou-se assim 32,1% de água não faturada, considerada como perdida.

Ou seja, próxima da percentagem evocada pela ministra do Ambiente que classificamos como “Verdadeira“.

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Avaliação do Polígrafo:

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