Em entrevista à RTP3, na noite de 28 de julho, a ministra do Ambiente e Energia destacou que os EUA já são um dos principais fornecedores de energia para Portugal. Questionada sobre o impacto do acordo comercial estabelecido entre a União Europeia e os EUA, Maria da Graça Carvalho disse que vai aguardar pelos detalhes deste entendimento, mas garantiu que tudo se fará para “criar condições para diversificar este mercado”.
“Mais vale um acordo do que uma guerra comercial, mas, de qualquer maneira, falta-nos conhecer os detalhes deste acordo. No que diz respeito à energia, no caso português, os Estados Unidos são já um dos principais fornecedores, tanto de gás como de petróleo”, referiu.
Para a Governante, não se trata de uma “imposição”, mas sim de uma escolha estratégica. “Estamos de certo modo mais protegidos, não dependemos de zonas de grande conflito como o Médio Oriente. Também somos praticamente independentes da energia oriunda da Rússia”, apontou.
A ministra tem razão?
Sim. Os dados oficiais relativos às importações de gás natural e de petróleo e derivados, disponíveis no portal da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), comprovam que os EUA sobressaem entre os principais fornecedores.
No que diz respeito às importações de produtos de petróleo, em 2023 (último ano para o qual há dados), os EUA foram o segundo maior fornecedor, com cerca de 450 mil toneladas importadas, apenas atrás de Espanha, com cerca de 1.9 milhões toneladas.
Em relação ao Gás Natural Liquefeito (GNL), transportado por barco, os Estados Unidos voltam a destacar-se, posicionando-se apenas atrás da Nigéria como fornecedores para Portugal. Esta tendência manteve-se nos primeiros cinco meses deste ano, com a Nigéria e os EUA a liderarem as importações de GNL para o país.
Em Portugal, a taxa de dependência de petróleo bruto, gás natural e combustíveis sólidos rondou, em 2023 (último ano de que há registo), os 67%, sendo que no ano de 2000 era superior a 85%. Tal como o Polígrafo já verificou, a União Europeia depende principalmente da Rússia para as importações dos três tipos de energia.Ainda assim, a situação em Portugal não é tão grave como nos restantes estados membros. Para os portugueses, o gás proveniente da Rússia representou, em 2024, apenas cerca de 8% de todas as importações.
“Vamos aguardar os detalhes que a União Europeia aceitou. Conhece-se muito pouco. De qualquer modo, o Governo português é defensor de um comércio livre, portanto tudo faremos para que se continue a lutar para diminuir as barreiras alfandegárias e ao mercado livre e para se criar condições para diversificar esse mercado e criar acordos com outras partes do globo. É essa troca livre que faz enriquecer os países”, destacou a ministra do Ambiente e Energia.
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Avaliação do Polígrafo:
