"Marta Temido não é apenas uma vergonha como ministra. É também uma vergonha como pessoa", destaca-se no título de uma publicação na página "Direita Política", de 5 de julho. "A má notícia é que a população portuguesa envelheceu subitamente e inesperadamente, de forma acentuada, nos últimos três anos, como nunca antes visto. A boa notícia é que, finalmente, a culpa já não é do [Pedro] Passos Coelho, esse grande sacana fascista neoliberal que queria dar cabo do Serviço Nacional de Saúde e dos serviços públicos", lê-se no respetivo texto.

O texto prolonga-se com abundantes considerações subjetivas e por vezes insultuosas, mas o que está a espalhar-se nas redes sociais é sobretudo o meme que aparece no final da publicação, baseado numa imagem da atual ministra das Saúde, Marta Temido, e difundindo a seguinte mensagem: "Ministra da Saúde culpa o envelhecimento da população pelos atrasos nas cirurgias. O que mais é preciso acontecer para esta senhora se demitir?"

É verdade que a ministra da Saúde "culpa o envelhecimento da população pelos atrasos nas cirurgias"? Verificação de factos, a pedido de vários leitores do Polígrafo.

De facto, no dia 3 de julho, o jornal "Público" noticiou que o "número de cirugias em atraso duplicou nos últimos quatro anos". De acordo com o mesmo jornal, "em março havia 45.183 pessoas à espera de serem operadas para lá do tempo recomendado. O número, que representa 18,5% do total de doentes inscritos para cirurgia, é o mais elevado desde 2015".

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créditos: Poligrafo

Nesse mesmo dia, a ministra da Saúde, Marta Temido, questionada por jornalistas sobre a notícia do jornal "Público", respondeu da seguinte forma: "Não é um falhanço deste Governo. Vale a pena dizer que este Governo tem garantido um mecanismo de vales cirúrgicos que os utentes, quando estão à espera para além dos tempos de resposta garantidos, podem ativar. Não é um falhanço, é a consciência de que há um problema com o acesso a um serviço público, universal, geral, tendencialmente gratuito, como é o Serviço Nacional de Saúde, e que temos dificuldades, mas estamos a trabalhar para as ultrapassar".

 

"O que verificamos, quando olhamos para qualquer sistema de saúde, é que a pressão da procura de uma população demograficamente envelhecida não pára de aumentar e isso é uma realidade. O que não significa que nós vivemos tranquilos com os números das listas de espera", declarou a ministra da Saúde, no dia 3 de julho.

Segundo a Rádio Renascença, na mesma ocasião, a ministra da Saúde disse que a culpa pelos atrasos nas cirurgias é da pressão da procura. "Não acho que o esforço tenha falhado, o que acho é que temos de ter percepção de que as necessidades em saúde… O que verificamos, quando olhamos para qualquer sistema de saúde, é que a pressão da procura de uma população demograficamente envelhecida não pára de aumentar e isso é uma realidade. O que não significa que nós vivemos tranquilos com os números das listas de espera. Eu já disse que essa era a minha principal preocupação", declarou Marta Temido.

Em conclusão, é verdade que a ministra da Saúde apontou "a pressão da procura de uma população demograficamente envelhecida" e que "não pára de aumentar" como uma causa para os atrasos nas cirurgias. A publicação em análise simplifica e extrapola essa declaração de Marta Temido, mas não deixa de ser verdade que a mesma foi proferida.

Avaliação do Polígrafo:

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