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Ministério da Educação enviou nota informativa com queixas relativamente ao Executivo de António Costa?

Política
O que está em causa?
Partilhada na rede social X na última sexta-feira, a imagem de uma "nota informativa" bastante crítica do Executivo Socialista, supostamente enviada às escolas pela DGEstE, revela que o Ministério da Educação ainda não esqueceu a herança do último Governo. Mesmo que o tema sejam provas de aferição.
© António Cotrim/Lusa

“Estou a tentar ter muito boa vontade com a minha nova tutela, mas receber um mail da Direção geral a dizer mal do anterior governo é shady as fuck, malta. Sejam melhores que isso”, aponta um “tweet” onde é divulgada uma nota alegadamente remetida pela DGEstE às escolas e que motivou dezenas de reações na rede social.

Primeiro ponto: a nota é real. Existe e foi emitida pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) esta quinta-feira (11 de abril), tendo sido enviada a todos os docentes. O seu título “Provas de Aferição e Provas Finais do Ensino Secundário” não deixa adivinhar o seu conteúdo: com críticas ao antigo Governo. A primeira surge logo no segundo ponto da espécie de “índice” do Ministério: depois de anunciar que as provas finais do 9.º ano vão ser realizadas em formato de papel, em vez de em formato digital, a tutela acusa: “O Governo anterior não assegurou às escolas as condições necessárias para a realização das Provas Finais em formato digital, tal como previsto.”

Mais à frente no documento, o segundo apontamento à governação de António Costa: “(…) a equipa governativa do MECI foi informada da posição dos diretores escolares sobre a grave falta de garantias de equidade para os alunos, sendo esta particularmente preocupante para a realização das Provas Finais do 9.º ano, que têm efeitos na avaliação final.”

Depois, o terceiro: “Os dados fornecidos pela DGEstE mostram graves falhas na disponibilização de equipamentos informáticos, na sua manutenção e na conectividade das escolas para que estas possam garantir que todos os alunos poderão realizar as avaliações em igualdade de oportunidades neste ano letivo.”

No fim, o quarto: “O MECI lamenta que a falta de planeamento do anterior Governo tenha gerado uma situação de indefinição sobre a avaliação dos alunos. Inevitavelmente, esta indefinição colocou alunos, famílias, professores e diretores numa situação de incerteza, interferindo no bom ambiente escolar num momento crucial do ano letivo.”

Ao Polígrafo, a tutela indica que a nota informativa que foi enviada às escolas pela DGEstE “teve por base a decisão tomada pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, explicando os motivos que resultaram na grave falta de condições para a realização das Provas Finais do 9.º ano em formato digital”.

“A mudança das provas finais para o formato em papel é um processo complexo num quadro em que o Ministério tem um curto prazo para o executar. Apesar da incerteza que existia em relação às condições para realizar as provas em formato digital, o Governo anterior não deixou plano B. Dada a exigência da preparação das provas em papel, há uma responsabilidade do anterior Governo que não pode ser ignorada”, o que justifica, assim, a sua inclusão na nota oficial enviada às escolas. Sobre se o tom se irá manter noutras comunicações do mesmo teor, o Ministério não fez comentários.

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Avaliação do Polígrafo:

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