"Militares enganaram-se e... Trocaram o combustível nas bombas de gasolina", destaca-se no título de uma publicação de 14 de agosto na página "Tuga Press", segundo a qual "o que era de prever, aconteceu. Pelo menos em três bombas de combustível os militares da GNR e Forças Armadas enganaram-se a colocar o combustível no 'buraco'".

"Quem o diz é o porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), em pelo menos três postos. Os postos foram os da [SIC] Sesimbra, Peniche e Narazé [SIC], todos feitos por motoristas da GNR ou das Forças Armada [SIC]. De acordo com declarações à Agência Lusa, Pardal Henriques disse que 'acho que o Estado devia ver os prejuízos que esta situação está a ter. O que vai acontecer nas situações que relatei é a necessidade de se esvaziarem os tanques'", acrescenta-se no mesmo texto que está a ser partilhado nas redes sociais como sendo uma notícia.

Ora, vários utilizadores do Facebook denunciaram este publicação como sendo fake news. Confirma-se ou não que "militares enganaram-se e trocaram o combustível nas bombas de gasolina"? Verificação de factos.

No dia 13 de agosto, de facto, em declarações à Agência Lusa, Pedro Pardal Henriques referiu a existência de contaminações em postos de abastecimento em Sesimbra, Peniche e Nazaré devido à troca de combustível em tanques.

No dia seguinte (precisamente o dia em que foi publicado o artigo da página "Tuga Press" em análise), porém, essa informação foi desmentida. O Ministério da Defesa Nacional garantiu então que é falso que tenha havido três situações de trocas de combustível em descargas feitas em Sesimbra, Peniche e Nazaré por militares das Forças Armadas. "O Ministério da Defesa Nacional esclarece que são falsas as informações veiculadas sobre a existência de três situações de trocas de combustível em descargas feitas em Sesimbra, Peniche e Nazaré, por militares das Forças Armadas", informou através de comunicado enviado à mesma Agência Lusa.

O Ministério liderado por João Gomes Cravinho sublinhou que "os militares das Forças Armadas estão empenhados segundo os termos estabelecidos na portaria em que se efetiva a intervenção das Forças Armadas na requisição civil, cuja necessidade foi reconhecida pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 153, de 12 de agosto de 2019".

Antes do envio do comunicado do Ministério da Defesa Nacional, fonte do Ministério do Ambiente afirmou à Agência Lusa que a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) não tem conhecimento de casos de troca de combustível alegadamente efetuada por elementos das Forças Armadas ou de segurança. "A ENSE não tem conhecimento de qualquer caso anómalo de troca de combustível alegadamente efetuada na descarga nos postos de abastecimento por parte das Forças Armadas ou de segurança", declarou a fonte do Ministério do Ambiente e da Transição Energética, esclarecendo que estas autoridades são apenas responsáveis pelo transporte do combustível.

A publicação na página "Tuga Press" data de 14 de agosto, pelo que o respetivo autor já tinha acesso ao desmentido por parte das autoridades competentes. De qualquer modo, perante uma informação errada, poderia sempre corrigir o texto em causa. Algo que não fez. Aliás, no dia 16 de agosto voltou a partilhar a mesma publicação nas redes sociais, onde esta fake news continua a circular como se fosse uma notícia verdadeira e assim reproduzindo desinformação.

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Nota editorial: este conteúdo  foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam naquela rede social.

Na escala de avaliação do Facebook este conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "falso" ou "maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo este conteúdo é:

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