“Rui Rio, o grande coveiro do PSD que o reduziu a 1/3 de membros (45 mil) foi o causador da divisão interna do partido por causa do modo pidesco de pagamento das quotas, dizendo que o partido não era um clube de amigos mas criando o seu próprio grupo de amigos parciais e de pagamento das quotas, passando ele próprio a desrespeitar os estatutos e deixando de cumprir as regras no que lhe davam jeito, inclusive promoveu um conselho nacional quase ao estilo da esquerda radical, facto que levou à demissão do conselho de jurisdição nacional do partido, provocou a deserção de milhares de membros e a formação de mais dois partidos políticos ao centro direita, nunca exerceu real oposição aos socialismos (…)”, lê-se num longo texto publicado no Facebook que tece críticas ao presidente do PSD.

Será verdade que durante o tempo de Rui Rio à frente dos social-democratas o número de militantes baixou para um terço, comparando com janeiro de 2018?

A militância no PSD pode ser medida por três critérios, conforme inclua – ou não – outras tantas categorias de filiados, por esta ordem crescente de abrangência: militantes ativos com capacidade eleitoral (quotas em dia); militantes ativos (pagamento de, pelo menos, uma quota nos últimos dois anos) e militantes suspensos (não pagam qualquer quota há mais de dois anos).

créditos: © PSD

No entanto, o número indicado pelo autor do post (45 mil) permite identificar qual foi a medida de comparação utilizada: militantes com capacidade eleitoral, uma vez que nas últimas eleições diretas do partido puderam votar 44.629 pessoas (número oficial de inscritos).

Nas eleições diretas em que Rui Rio foi eleito pela primeira vez presidente do PSD, quantos militantes podiam votar?

Rui Rio venceu a primeira de três eleições no PSD a 13 de janeiro de 2018. Segundo o site do PSD, o número de eleitores era 70.692. Quando comparado com o universo de votantes das últimas diretas (44.629), constata-se uma diminuição de cerca de 37 por cento (36,86%).

A grande quebra neste contingente verificou-se da primeira para a segunda eleição de Rio, em janeiro de 2020, após o líder social-democrata ter alterado as regras do pagamento de quotas no partido: passaram a ter de ser liquidadas somente pelos próprios militantes e não por outrem. Assim, em 2020, o número de eleitores baixou para 40.604 (- 42,6 por cento). Desde essa data até ao presente, houve um acréscimo de cerca de quatro mil militantes.

Fonte: www.psd.pt

Quanto ao registo de votantes efetivos, a maior oscilação ocorreu entre as diretas de novembro de 2021 e as mais recentes (menos 26 por cento), depois de uma primeira quebra de 2018 para 2020 (menos 23,6 por cento).

Fonte: www.psd.pt

Em suma, houve uma diminuição do número de militantes do PSD com o pagamento de quotas regularizado durante a presidência ds Rui Rio, de 70.692 para 44.629, mas esta está longe da redução para um terço referida pela publicação.

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.
International Fact-Checking Network