"Eleições perdidas, saem os independentes, entram os militantes. Não é uma imagem bonita". O tweet refere-se à lista encabeçada por Fernando Medina à Câmara Municipal de Lisboa (coligação Mais Lisboa) e é seguido de uma citação que descreve as entradas e saídas nos respetivos lugares de vereação.

No próximo dia 18 de outubro, o novo elenco da Câmara Municipal de Lisboa (CML) tomará posse, pelo que as duas últimas semanas serviram para definir quem, efetivamente, ocupará os lugares de vereação. Esta reorganização ocorreu na lista derrotada com mais mandatos obtidos (liderada por Fernando Medina), uma vez que a aceitação dos convites para a integrar pressupunha o exercício de poder, o que não irá acontecer devido à vitória da coligação liderada por Carlos Moedas. Quando apresentou a lista que liderava, a 22 de julho, Fernando Medina sublinhou o significativo número de independentes que continha.

A correlação de forças entre militantes do PS e independentes será mesmo muito diferente da inicialmente prevista aquando da formação da lista?

A lista da coligação Mais Lisboa (PS + Livre + Cidadãos por Lisboa) à Câmara Municipal de Lisboa garantiu a eleição de sete mandatos nas eleições de 26 de setembro (depois de oito em 2017):

1 – Fernando Medina (Partido Socialista)

2 – Inês Lobo (Independente)

3 – João Paulo Saraiva (Independente — CPL) 

4 – Inês Ucha (Independente)

5 – Rui Tavares (Partido LIVRE)

6 – Paula Marques (Independente — CPL) 

7 – Miguel Gaspar (Partido Socialista)

Ao todo, esta foi a distribuição formal do número de vereadores no interior da coligação Mais Lisboa resultante da votação: PS/2; Livre/1; Cidadãos por Lisboa/2 e Independentes/2.

Na prática, o PS detinha três vereadores, uma vez que João Paulo Saraiva voltou a filiar-se no PS recentemente (acumulando esse estatuto com a militância no Cidadãos por Lisboa, movimento criado por Helena Roseta em 2007).

Nos últimos dias foram veiculadas diversas informações sobre renúncias de eleitos e respetivas substituições. Além do cabeça de lista - Fernando Medina -, também as independentes Inês Lobo e Inês Ucha teriam recusado o mandato que lhes tinha sido conferido pelos eleitores.

Com estas três desistências, seguindo o critério legal da ordem sequencial na lista (Artigo 14.º), deveriam suceder-lhes uma militante do PS e dois independentes:

8 – Inês de Drummond (Partido Socialista)

9 – Maria João Rodrigues (Independente)

10 – Álvaro Pinto (Independente)

Porém, as mesmas informações que relatavam a renúncia dos eleitos referiam também que dois dos suplentes (Maria João Rodrigues e Álvaro Pinto) teriam abdicado, permitindo assim que mais dois militantes do PS subissem à vereação:

11 – Pedro Anastácio (Partido Socialista)

12 – Cátia Rosas (Partido Socialista)

Deste modo, até o 12º lugar da lista saltava para lugar efetivo de vereação, consubstanciando a seguinte distribuição interna nos sete mandatos conquistados: PS com 5 (João Paulo Saraiva, Miguel Gaspar e os suplentes que, entretanto, “subiram” à vereação Inês de Drummond; Pedro Anastácio e Cátia Rosas); Livre com 1 (Rui Tavares); Cidadãos por Lisboa 2 (o mesmo João Paulo Saraiva, por ser também filiado no PS, e Paula Marques).

O Polígrafo contactou o gabinete de comunicação da coligação Mais Lisboa, que confirmou todas estas movimentações no interior da respetiva lista e a exata formação da equipa de vereação mencionada.

É portanto, verdadeiro que há um movimento de substituição de independentes por militantes dos PS na coligação Mais Lisboa. Seguindo de forma rigorosa a ordem da lista, apenas 3 (43 por cento) filiados no PS seriam vereadores mas, com as sucessivas desistências, esse número sobe para 5 (71 por cento). No movimento de substituições e renúncias, verifica-se que somente houve um abandono de filiados no PS (Fernando Medina) e desistiram quatro independentes (dois entre os diretamente eleitos mais dois que abdicaram do lugar entretanto deixado vago pelas renúncias), em contraponto com as três entradas, todas de militantes socialistas (Inês de Drummond, Pedro Anastácio e Cátia Rosas). Atualmente, resta uma vereadora não filiada no PS ou no Livre: Paula Marques.

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