É um vídeo descontextualizado que mostra uma máquina a danificar - pelo menos aparentemente - uma estrada que se localiza no Estado brasileiro de Tocantins. Nas legendas e nos comentários às múltiplas publicações do mesmo vídeo viral surgem denúncias que apontam no sentido de militantes "da esquerda" no Brasil, nomeadamente ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula da Silva e Dilma Rousseff, estarem a destruir estradas com o objetivo de prejudicarem o atual Governo em funções, liderado por Jair Bolsonaro.

"Denúncia! Esquerda destruindo asfalto", acusa-se na legenda mais comum entre as publicações detetadas. Mas este vídeo é autêntico? E trata-se, de facto, de uma máquina a danificar uma estrada e conduzida por militantes "da esquerda"? Verificação de factos.

O vídeo é autêntico, não se trata de uma montagem ou falsificação. O problema é a leitura ou interpretação do mesmo. Desde logo porque a máquina não está a danificar a estrada, ao contrário do que as imagens parecem mostrar, em interpretação condicionada ou manipulada pelas legendas e comentários.

De acordo com a Agência Lupa, plataforma brasileira de fact-checking, "as imagens verificadas não são da destruição de qualquer asfalto. Na verdade, se trata de um procedimento chamado de microfresagem, feito na estrada BR-153/TO, no Tocantins. Na microfresagem são feitos pequenos frisos no asfalto, para aumentar a aderência dos pneus e a segurança na pista. Ele também evita que a via fique com poças de água, o que pode danificar o revestimento asfáltico".

Ora, "a microfresagem não 'destrói' o asfalto, como diz a publicação", garante a Agência Lupa. "O ministro das Infraestruturas, Tarcísio Gomes de Freitas, foi questionado no Twitter e explicou o procedimento"

"Além disso, as obras na BR-153/TO não têm nenhuma relação com 'a esquerda', como sugere a publicação. Os processos feitos nas vias estaduais são de responsabilidade do Governo do Estado, que, atualmente está sob o comando do empresário e agropecuarista Mauro Carlesse, do DEM", conclui.

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