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Miguel Pinto Luz: Relatório da CTI deixa “claro que a melhor localização [para o aeroporto] é Alcochete”

Política
O que está em causa?
Numa entrevista ao Expresso, o ministro das Infraestruturas, que anunciou há poucos dias a localização do novo aeroporto de Lisboa, lembrou que o relatório da Comissão Técnica Independente deixa "claro que a melhor localização é Alcochete". É verdade?
© Manuel de Almeida/Lusa

Numa entrevista ao jornal “Expresso” desta semana, Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, aprofundou um pouco mais os esclarecimentos sobre o novo aeroporto de Lisboa e revelou estar desconfiado do prazo de 10 anos apontado pela CTI. “Não acreditamos nem no prazo que a CTI aponta, nem no valor para o investimento, nem tampouco na curva de procura. Fomos compará-la com outras curvas apresentadas pela IATA, a ICAO, a NAV e, manifestamente, a da CTI está longe da curva da procura destas entidades. Parece quase uma necessidade de justificar qualquer coisa. Não quero fazer juízo de valor. Há, porém, um elo comum a todas as curvas de procura: a expectativa sobre Portugal é grande, vamos ter muito crescimento”, disse.

Quanto ao que pode correr mal até lá, o ministro da tutela descartou admitiu que “o principal risco é o das avaliações e dos estudos que têm de ser desenvolvidos daqui para a frente”, ou seja, a avaliação de impacto ambiental. “A de Alcochete é a grande preocupação. Os movimentos ambientalistas apontavam mais para Vendas Novas. Para quem lê o relatório da CTI é claro que a melhor localização é Alcochete. O Governo e os partidos políticos tiveram a mesma leitura”, concluiu. Confirma-se?

Uma leitura não política das conclusões do relatório ambiental da CTI permite perceber que “as opções estratégicas de solução única são as que se apresentam como mais favoráveis em termos globais”, ou seja, as hipóteses Alcochete e Vendas Novas. Sobre esta última localização, no entanto, a CTI tinha algumas críticas: a opção Vendas Novas “apresenta menos vantagem em termos de proximidade” à Área Metropolitana de Lisboa (AML), bem como “de tempo de implementação”, sendo necessários “mais estudos, bem como mais expropriações.” As vantagens, neste caso, seriam “do ponto de vista ambiental, com menor afetação de corredores de movimentos de aves e recursos hídricos subterrâneos, apesar de afetarem áreas de montado e recursos hídricos superficiais de forma muito equivalente”.

Em Alcochete, um “possível conflito com corredores de aves migratórias a partir da 3ª pista” era um dos (poucos) riscos apontados.

Apesar de admitir não haver “nenhuma opção estratégica ideal”, o relatório apontava para o facto de as opções únicas obrigarem à desativação do Campo de Tiro de Alcochete, representando um ónus adicional para Vendas Novas. E admitia que estas duas opções utilizassem as opções duais como meio de transição.

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Avaliação do Polígrafo:

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