As suspeitas foram levantadas nos últimos dias, em redes sociais como o Twitter. Vários utilizadores têm partilhado uma hiperligação que, alegadamente, mostra uma patente registada pela Microsoft, devendando um suposto projeto para introduzir chips em seres humanos, de modo a instrumentalizar quem os utiliza em negociações de criptomoeda, como a Bitcoin, e levar a gigante tecnológica a ganhar muito dinheiro com isso.

Segundo os vários posts, o carácter malicioso do plano é desmascarado logo pelo número de registo, que inclui a combinação 666, o símbolo bíblico do diabo, e as letras WO, que as publicações garantem significar World Order (em português Ordem Mundial), sugerindo que o projeto vai ser de tal ordem universal, que irá subjugar e escravizar a humanidade.

Mas tudo não passa de mais uma teoria da conspiração, esta mais rebuscada do que muitas outras que circulam por estes dias na Internet. Neste caso utilitazaram-se algumas coincidências e interpretações enganadoras, tal como já foi sinalizado em artigo recente da "Snopes", plataforma norte-americana de verificação de factos.

Antes de mais, importa confirmar que a Microsoft registou internacionalmente a patente no centro da polémica, a qual envolve um sistema de criptomoeda e cuja identificação incorpora não só o número 666, como as letras WO. No entanto, nada disto está relacionado com um suposto plano demoníaco à escola global, através da introdução de chips em corpos humanos.

Em primeiro lugar, WO não significa Ordem Mundial. Representa, sim, a sigla abreviada de WIPO (World Intellectual Property Organization), ou seja, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual.

Em segundo lugar, para se chegar à interpretação de que o registo envolve o número do diabo, teve que se olvidar os outros 11 caracteres do código. Transcrição integral: WO2020060606A1.

Em terceiro lugar, a patente está, de facto, registada para um "sistema de criptomoeda" que "utiliza dados de atividade corporal", mas através de objetos que se usam ou vestem, como os smartwatches, computadores, telemóveis ou tablets. Na informação sobre o registo não existe qualquer referência a microchips

Por fim, as infografias que acompanham as publicações mostram algo tão simples como a forma através da qual os utilizadores dos dispositivos, os próprios dispositivos e os sensores dos equipamentos registam a atividade corporal.

Em conclusão, é falso que a Microsoft tenha registado uma patente internacional que envolve a introdução de chips em pessoas, de modo a instrumentalizá-las e a obter lucros a partir daí. Tal como é falso que o registo incorpore o número do diabo e a referência a uma nova Ordem Mundial. O que a empresa tecnológica fez, na verdade, foi o registo, em junho do ano passado, da propriedade intelectual de um projeto que implica criptomoeda e o registo de dados sobre a atividade corporal.

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Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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