“Hoje, fica marcado como o dia em que a Terra realmente parou, as notícias tristes vêm de East End (Londres), a lenda do rock and roll Mick Jagger morreu, aos 75 anos. Mick foi vocalista da banda de rock clássico Rolling Stones, durante mais de 50 anos”. Assim é a abertura do texto que dá conta da morte do vocalista de uma das mais famosas bandas de rock and roll de sempre. Jornalisticamente falando, o lead é irrepreensível: responde às perguntas quem, o quê, onde e quando. Fosse o site Conservative Tears mais visitado, seria bem provável que o mundo tivesse parado, pelo menos, durante alguns instantes, com a revelação chocante. Ainda assim, a notícia foi partilhada mais de 1400 vezes, só no Facebook.

Na verdade, o site não anuncia só uma tragédia; para alguns são duas. A segunda, surge alguns parágrafos depois: “Fervoroso apoiante do presidente Trump, o intérprete de ‘Satisfaction’ deu indicações ao gestor da sua fortuna para libertar mais de sete mil milhões de euros para Donald Trump, com o propósito expresso de que o dinheiro será usado para construir o muro de segurança da fronteira."

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Uma das imagens que acompanha a notícia é um meme que junta a fotografia do cantor à sigla R.I.P. – rest in peace, em português, descansa em paz –, ao nome do artista, “Sir Michelangelo “Mick” Jagger”, e ao período de vida, “June 1943 – February 2019”.

Quem conhece bem os Rolling Stones, e Mick Jagger, percebe logo que é melhor não confiar na notícia. É que o nome da estrela rock é, na realidade, Michael Philip Jagger e não Michelangelo Jagger, como refere o site. Basta dar um salto à Wikipedia para perceber que a página não acertou nem no nome, nem no facto principal da notícia, a morte. Mick Jagger está vivo, bem de saúde e, pelos vistos, agora, bastante mais calmo. É que assentou arraiais com uma namorada, a bailarina Melanie Hamrick, depois de muitas notícias a darem conta que já dormiu com mais de quatro mil mulheres.

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Porém, as incongruências da notícia ainda não chegaram ao fim, e o site de verificação de factos “Hoax-Alert” vai mais longe, na hora de desmascarar as falsidades veiculadas no texto. O músico tem uma fortuna de cerca de 319 milhões de dólares, por isso, é fácil fazer as contas: jamais poderia doar 7 mil milhões à administração Trump para financiar o polémico muro.

O site que construiu a história é uma plataforma que costuma publicar falsos alertas de morte de várias figuras públicas. Em comum, quase todas suportam Donald Trump, mas só no online. Na vida real, muitas delas são opositoras da governação do magnata.

Avaliação do Polígrafo:

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