"Após seis anos em coma, o alemão Michael Schumacher acordou de um coma e reconheceu sua mulher", afirma-se numa publicação no Facebook, de 5 de outubro, sobre o antigo piloto alemão de Fórmula 1 que sofreu uma acidente grave enquanto esquiava.

"Sua mulher que gastou a maior parte da sua fortuna com o tratamento de seu marido antes da falência. Apesar da imensa fortuna conquistada na fórmula 1, enquanto ele dominava por anos, foram vários títulos e enormes contratos e patrocínios. A primeira pessoa ao despertar do coma a ser reconhecida foi ela. Ela foi a mulher que esteve lá, não partiu em todos os seis anos", prossegue o autor da publicação.

É verdade que Schumacher acordou ao fim de seis anos em coma?

O acidente aconteceu no dia 29 de dezembro de 2013. Michael Schumacher esquiava com o filho, Mick Schumacher, na estância de Méribel, nos Alpes franceses, quando saiu da pista e bateu com a cabeça numa rocha. Na primeira informação oficial, Christophe Gernignon-Lecomt, diretor da estância de esqui, disse à imprensa que o antigo piloto estava "consciente" e que "o acidente não foi grave".

Contudo, esse prognóstico não foi confirmado. Em comunicado, o centro hospitalar de Grenoble, para onde foi transferido, afirmou que o estado de saúde de Schumacher era crítico: "O senhor Schumacher foi admitido no centro hospitalar de Grenoble às 12h40, após um acidente de esqui sofrido em Méribel ao final da manhã. Ele sofria, à sua chegada, de um traumatismo craniano grave, com coma, e foi submetido imediatamente a uma intervenção neurocirúrgica. Ele está em estado crítico."

Cerca de seis meses depois, no dia 16 de junho de 2014, Sabine Kehm, assessora de imprensa do antigo automobilista, informou que Schumacher​​ "abandonou o Hospital Universitário de Grenoble para continuar o seu longo processo de reabilitação". "Já não está em coma", disse na altura. O alemão foi transferido para o Hospital Universitário de Vaud, em Lausanne, na Suíça, até que voltou para casa, a 9 de setembro, onde continua em tratamento.

Cerca de seis meses depois, no dia 16 de junho de 2014, Sabine Kehm, assessora de imprensa do antigo automobilista, informou que Schumacher​​ "abandonou o Hospital Universitário de Grenoble para continuar o seu longo processo de reabilitação". "Já não está em coma", disse na altura.

Desde então as informações sobre Michael Schumacher são escassas. Em 2016, o jornal britânico "The Sun" noticiou que o alemão recebia um tratamento que custava cerca de 135 mil euros por semana e que era realizado por uma equipa de 15 médicos e enfermeiros. Em 2019, Jean Todt, antigo diretor geral da Scuderia Ferrari e atual presidente da Federação Internacional de Automobilismo, disse que o ex-piloto estava a fazer "bons progressos", mas que a amizade entre ambos não é igual ao que era, porque "a comunicação já não é a mesma como antes".

Num documentário recente da Netflix, o filho Mick Schumacher, que na altura do acidente tinha apenas 14 anos, falou sobre o pai, o que raramente faz: "Desde o acidente, aqueles momentos em família que tanta gente desfruta com o pai, para mim deixaram de existir, ou pelo menos acontecem de forma diferente e do meu ponto de vista isso é muito injusto."

"Desde o acidente, aqueles momentos em família que tanta gente desfruta com o pai, para mim deixaram de existir, ou pelo menos acontecem de forma diferente e do meu ponto de vista isso é muito injusto".

"O Michael está cá. Está diferente mas está cá. E isso dá-nos força, acho eu. Estamos juntos. Vivemos juntos em casa. Fazemos terapia. Fazemos tudo o que podemos para que o Michael melhore e para garantir que está confortável. Tentamos que sinta que faz parte da família, que sinta o nosso elo. Aconteça o que acontecer, vou fazer tudo o que puder. Vamos todos. Estamos a tentar seguir em frente enquanto uma família, tal como o Michael gostava e ainda gosta. E estamos a seguir em frente com as nossas vidas", disse Corinna Schumacher no mesmo documentário.

Na semana passada, Piero Ferrari, vice presidente da Ferrari e filho do fundador, Enzo Ferrari, falou sobre Michael e disse que não gosta de quando se fala do antigo piloto como se estivesse morto. "Ele não está morto. Ele está cá mas não consegue comunicar", ressalvou.

Em suma, Michael Schumacher esteve apenas cerca de seis meses em coma e não seis anos, como se refere na publicação. Assim, a informação é falsa.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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