“Eis o Metrobus do Porto. Custou 75 milhões de euros. Está parado no trânsito da Av. Marechal Gomes da Costa. Um sucesso!”, comenta-se numa publicação feita no Facebook. Refere-se a uma imagem que retrata uma situação em que o autocarro metropolitano parece estar parado numa fila de automóveis, bloqueado por um congestionamento.
O MetroBus consiste num autocarro elétrico movido a hidrogénio com uma faixa dedicada e um piso rebaixado que facilita a entrada e saída de passageiros, independentemente das suas condições de mobilidade. O projeto foi lançado em 2021, mas apenas foi aprovado em janeiro de 2023, com um orçamento de 66 milhões de euros inteiramente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Este valor viu ainda um acréscimo de 10 milhões de euros acordado pelo Conselho de Ministros em maio de 2025, o que resulta num total de 76 milhões de euros.
O projeto entrou em fase experimental a 19 de fevereiro de 2026 e o seu acesso foi alargado no dia 28 do mesmo mês. Por enquanto, apenas uma linha está ativa: a ligação entre a Casa da Música e a Praça do Império. O próximo trajeto planeado irá começar no mesmo local e ligá-lo à Anémona em 17 minutos.
Quanto à ineficiência apontada nas redes, confirma-se a veracidade da imagem publicada nas redes sociais. Não foi gerada por Inteligência Artificial (IA) nem aparenta ter sido digitalmente alterada. Em 2023, Joana Barros, arquiteta responsável pelo projeto, prometeu “eficiência, frequência e modernidade” para as avenidas da Boavista e Marechal Gomes da Costa. No entanto, é nesta última que a insuficiência deste novo meio de transporte se torna mais aparente. A fotografia não foi tirada na Avenida da Boavista, onde o MetroBus se desloca na sua via dedicada. Trata-se da Avenida Marechal Gomes da Costa, onde o veículo circula em conjunto com as outras viaturas.
Em resposta ao Polígrafo, fonte oficial do Metro do Porto informou que o tempo médio de viagem, durante a primeira semana em que o MetroBus esteve em operação, correspondeu a 12 minutos e meio, apenas 30 segundos mais demorado do que as projeções feitas em 2023. Face à diferença pouco perceptível entre as projeções e os resultados, a empresa considera que estes são apenas “constrangimentos pontuais” e, portanto, não representam “um obstáculo relevante à normalidade da operação”.
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Avaliação do Polígrafo:

