"O dinheiro do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] está a ir, quase todo e muito mais depressa, para o setor público. Os números mais recentes indicam-nos que 60% das verbas já pagas foram para entidades públicas. No total dos montantes aprovados, mais de 80% são igualmente para o setor público", afirmou Adolfo Mesquita Nunes, ex-militante do CDS-PP e antigo secretário de Estado do Turismo, no âmbito do programa de debate "Linhas Vermelhas", emitido a 11 de julho na SIC Notícias.

"O PRR não está desenhado, nem do ponto de vista da sua execução e nem do seu envelope financeiro, para responder aos desafios da nossa economia e das nossas empresas. É importante que se obtenha uma explicação para esta enorme desproporção", concluiu Mesquita Nunes, em citação que foi entretanto destacada nas páginas do Instituto +Liberdade (do qual é membro fundador e coordenador do Grupo de Trabalho para a Transição Digital) nas redes sociais.

Os números indicados estão corretos?

De acordo com o último "Relatório Operacional" do PRR (pode consultar aqui), atualizado até 13 de julho, do valor total de 730 milhões de euros que já foi pago, entre os beneficiários diretos e finais sobressaem as empresas públicas (217 milhões de euros), as entidades públicas (181 milhões de euros) e as autarquias e áreas metropolitanas (35 milhões de euros).

Em conjunto já receberam 433 milhões de euros, o que corresponde a cerca de 59,3% do valor total.

Importa aqui salientar que as escolas receberam a segunda quantia mais avultada, 211 milhões de euros, apenas superada pela das empresas públicas. Sendo as escolas, na sua maior parte, de cariz público, também poderiam ser englobadas nas contas de Mesquita Nunes. Tal como as instituições de ensino superior e as instituições do sistema científico e tecnológico, embora com valores mais baixos.

Ou seja, a percentagem indicada de 60% até pode estar a subestimar a proporção das verbas pagas a entidades públicas.

O mesmo se aplica aos montantes aprovados. Segundo o "Relatório Operacional", do valor total de 5.571 milhões de euros que já foi aprovado no âmbito do PRR, entre os beneficiários diretos e finais sobressaem as entidades públicas (2.273 milhões de euros), as empresas públicas (1.707 milhões de euros) e as autarquias e áreas metropolitanas (682 milhões de euros).

Em conjunto já receberam 4.662 milhões de euros, o que corresponde a cerca de 83,7% do valor total.

Mais uma vez, a percentagem indicada por Mesquita Nunes tem sustentação factual e até pode estar subestimada.

______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.
Verdadeiro
International Fact-Checking Network