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Mercado de verão: quem investiu mais em Portugal na última década?

Polígrafo Futebol
O que está em causa?
Com o mercado de verão de transferências a fervilhar, o Polígrafo Futebol verificou quem mais investiu em Portugal nas 10 últimas épocas (de 2015 a 2024). A análise centrou-se na janela que fecha no último dia de agosto/primeiros dias de setembro e não no exercício financeiro (30 de junho).

Em pleno mercado de verão, o balanço desta janela de transferências nas últimas 10 épocas (de 2015/16 a 2024/25) permite perceber algumas tendências e correlações com os resultados desportivos, embora o mercado de inverno seja, cada vez mais, um instrumento para importantes ajustes por parte dos clubes.

Tomando como referência o Transfermarkt, constata-se que o Benfica é o “grande” que mais investe (média de 50,6 milhões/mercado de verão), seguido do FC Porto (39,1 milhões) e Sporting (33,5 milhões). Contabilizadas contratações e taxas de empréstimo, a diferença das águias para os dragões é de 29,6% e para os leões de 51,1% (ver quadros). O Sp. Braga aparece em 4.º lugar com uns muito distantes 8,7 milhões/mercado de verão e depois o V. Guimarães, com 2,7 milhões. O clube liderado por António Salvador, apesar de ter um investimento quase sempre inferior a 1/3 dos chamados “grandes”, conseguiu ficar melhor classificado que algum deles em duas das 10 épocas (2019/20 e 2022/23).

Num olhar de relance para cada uma das 10 épocas, percebe-se que é também o Benfica que apresenta as maiores oscilações – entre 9,95 milhões (2017/18) e 108,5 milhões (2020/21) –, por isso alternando o papel de maior investidor (em cinco das 10 épocas) com o de 3.º (2017/18). O FC Porto foi o maior investidor de verão em três temporadas (2015/16; 2018/19 e 2019/20) e o Sporting em duas (2017/18 e 2021/2022).

Correlacionando investimento e conquista do campeonato nacional, verifica-se que apenas em três das 10 épocas o que mais investiu no verão arrebatou o título: 2016/17 Benfica (Rui Vitória); 2019/20 FC Porto (Sérgio Conceição) e 2022/23 Benfica (Roger Schmidt).

Refira-se que os valores do custo dos jogadores constantes no Transfermarkt incluem o variável por objetivos já atingidos e os montantes correspondentes às percentagens de mais-valias de uma futura venda (entretanto concretizada) contratualizados com o clube anterior. Esta segunda rubrica, onera os investimentos iniciais, principalmente em relação ao Benfica. Só nos casos de Darwin Núñez, Enzo Fernández e Marcos Leonardo aquilo que seria um custo de cerca de 52 milhões de euros (24+10+18) passa para cerca de 100 milhões (34+44,25+22), ou seja, mais 48 milhões contabilizados como investimento. No caso do FC Porto, que tem um bolo destas situações menos expressivo que o Benfica, o caso mais flagrante é o de Nico González, que segundo este site especializado em transferências custou ao FC Porto mais 12,8 milhões de euros que o seu montante inicial (de 8,4 para 21,2).

 

Última década do mercado de verão de transferências*

Época Benfica FC Porto Sporting Sp. Braga V. Guimarães**
2024/25 55,5 44,71 52,91 21,83 1,55
2023/24 74,2 46,2 59,5 19,05 2,64
2022/23 98,05 51,9 44,77 4,96 5,35
2021/22 25,5 25,4 32 4,07 2,7
2020/21 108,5 25,98 26,85 8,22 2,95
2019/20 44,75 63,25 26 7,59 0,8
2018/19 27,21 31,56 21,8 7,66 2,78
2017/18 9,95 21 31,76 3,55 5,9
2016/17 35,80 35,05 30,08 6,3 0
2015/16 26,65 45,5 9,22 3,8 2,25

*Valores em milhões de euros

**Um número residual de transferências não foi apurado pelo Transfermarkt

 

 

Quadro-resumo do mercado de verão de transferências 2015-2024*

Clube Total Média anual
Benfica 506,11 50,6
FC Porto 390,55 39,1
Sporting 334,89 33,5
Sp. Braga 87,03 8,7
V. Guimarães 26,92 2,7

*Valores em milhões de euros

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