"À esquerda, a instalação 'O Barco' que a artista portuguesa Grada Kilomba expõe no museu MAAT em Lisboa. À direita, a mesma instalação a ser pisada por fascistas, um deles candidato à autarquia de Lisboa esta semana", lê-se num dos vários posts que denunciam a situação, mostrando a polémica fotografia.

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No mesmo dia, figuras como Mamadou Ba pronunciaram-se sobre o assunto, classificando Pinto Coelho "e o seu capanga" como "duas das avantesmas mais ineptas do universo da fachoesfera em Portugal", bem como "bandalhos" e "energúmenos".

Mas se de um dos lados não faltaram insultos, Pinto Coelho fez questão de equilibrar a balança, num tweet em resposta ao dirigente da SOS Racismo: "Ó Mamadou, vai levar no...! E depois volta para a tua terra seu escumalha comunista-racista".

Recuando até 13 de setembro, é na página oficial do partido Ergue-te no Facebook que encontramos o registo fotográfico original, desprovido de qualquer tipo de descrição ou comentário. A fotografia é explícita: José Pinto Coelho e João Patrocínio posam para a câmara fotográfica enquanto pisam blocos da instalação "O Barco", da artista Grada Kilomba.

A obra, composta por 140 blocos, é disposta junto ao rio Tejo, ao longo de 32 metros, de forma a criar a silhueta do fundo de uma nau e a desenhar "minuciosamente o espaço criado para acomodar os corpos de milhões de africanos, escravizados pelos impérios europeus".

"No imaginário ocidental, um barco é facilmente associado à glória, liberdade e expansão marítima, descrita como 'descobertas' mas, na visão da artista, 'um continente com milhões de pessoas não pode ser descoberto' nem 'um dos mais longos e horrendos capítulos da humanidade - a Escravatura - pode ser apagado'", lê-se na descrição da obra no portal do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT).

Ao Polígrafo, fonte oficial do partido Ergue-te confirma que se tratou de um ato "intencional", sendo uma "forma simbólica de protestar contra os ataques à nossa História".

Patrocínio encabeça a lista do partido Ergue-te na corrida às eleições autárquicas deste ano, tendo como principais bandeiras "a ética na gestão pública" e o combate "às agendas totalitárias da moda" e ao "multiculturalismo".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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