No segmento do debate com enfoque nos transportes públicos e no trânsito rodoviário, Fernando Medina defendeu que "são precisos investimentos fora de Lisboa para que a situação em Lisboa melhore. Se não, a partir do momento em que as pessoas saem de casa com os seus automóveis, não há nenhuma solução sem rede".

O atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa e recandidato ao cargo, em debate frente aos seus principais adversários nas próximas eleições autárquicas, ontem à noite, com transmissão pela SIC, apontou também para a importância do "investimento em transportes públicos dentro da cidade de Lisboa, quer aqueles que são responsabilidade do Estado central, na expansão do Metropolitano, quer aqueles que são responsabilidade da Câmara Municipal, da Carris".

Nesse âmbito, Medina enalteceu que "fruto do passe único [nos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa] registou-se uma diminuição do número de automóveis a utilizar a ponte 25 de abril, porque houve mais pessoas que puderam utilizar o comboio com a diminuição do preço".

Esta alegação tem fundamento?

O novo passe único nos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa (AML) entrou em funcionamento no dia 1 de abril de 2019. A redução dos preços e a simplificação do processo geraram um aumento substancial da utilização dos transportes públicos, logo nos primeiros meses de funcionamento, não é isso que está em causa. A dúvida é sobre se originou, de facto, uma diminuição do tráfego rodoviário na ponte 25 de abril, uma das principais vias de entrada na cidade de Lisboa.

Consultando os Relatórios de Tráfego do Instituto de Mobilidade e Transportes (IMT) verificamos que se registou uma diminuição do tráfego na ponte 25 de abril logo no primeiro mês do novo passe único, passando de um total de 138.324 veículos (média por dia) em março de 2019 para 135.896 veículos em abril de 2019. O problema é que, no mês seguinte, o tráfego na ponte 25 de abril voltou a aumentar para um total de 146.212 veículos.

Em junho de 2019 diminuiu para 143.386 veículos, mas em julho de 2019 voltou a aumentar para 153.255 veículos, máximo do ano. Seguiram-se cinco meses de decréscimo, até chegar a 134.094 veículos no total em dezembro de 2019. No entanto, mantinha-se assim praticamente ao mesmo nível dos primeiros meses do ano de 2019 (134.800 veículos em fevereiro de 2019), ou do final do ano de 2018 (total de 134.645 veículos em dezembro de 2018).

De resto, em fevereiro de 2020, o último mês antes dos efeitos da pandemia de Covid-19, o tráfego na ponte 25 de abril voltou a aumentar para um total de 135.953 veículos, número superior ao registado no mês homólogo de 2019.

Ou seja, os números inscritos nos Relatórios de Tráfego do IMT desmentem a alegação de Medina. O tráfego rodoviário na ponte 25 de abril não diminuiu de forma consolidada após a introdução do novo passe único na AML, em abril de 2019.

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Avaliação do Polígrafo:

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