"Há pessoas a sofrer sintomas horríveis ou a morrer", comenta-se numa das publicações da imagem detectadas pelo Polígrafo. Trata-se de uma suposta primeira página do jornal britânico "The Times", com o seguinte título em manchete: "Médicos e especialistas desaconselham tomar vacina experimental".

Esta manchete do jornal "The Times" é autêntica?

Não. É uma imagem falsificada que surgiu no Twitter e já foi desmentida pelo próprio jornal britânico.

A publicação foi removida do Twitter, a pedido dos proprietários do jornal, mas esteve disponível ao longo de cerca de 12 horas, originando múltiplas partilhas da imagem (falsa) que, quase um mês depois, continua a ser difundida nas redes sociais.

Consultando a verdadeira primeira página da edição de 16 de fevereiro do jornal "The Times", verificamos que o título em manchete aponta no sentido inverso: "A vacinação [contra a Covid-19] está a reduzir internamentos e mortes".

Alegações infundadas sobre a insegurança ou o carácter "experimental" das vacinas contra a Covid-19 têm sido recorrentes nos últimos meses, sobretudo nas redes sociais, motivando sucessivos artigos de verificação de factos do Polígrafo (pode ler aqui ou aqui, entre outros exemplos).

"Em relação às vacinas, os protocolos são claros e os reguladores avaliaram os dados. Estão licenciadas para uso de emergência. Não há dúvida nenhuma. Cumpriram os perfis de segurança e até agora, com milhões de vacinas administradas, nada mudou", assegura Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, em declarações ao Polígrafo.

A garantia é corroborada por João Júlio Cerqueira, médico especialista em Medicina Geral e Familiar. "O que está a acontecer não é um 'tratamento experimental massivo'. As vacinas são seguras, passaram por todos os estudos que é suposto passarem antes de serem introduzidas no mercado. De qualquer forma, já saíram os primeiros relatórios relativamente à fase 4, que é a fase de monitorização depois de a vacina entrar no mercado e o perfil de efeitos adversos é consistente com o que observamos nos estudos de fase 3", sublinha.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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