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Marta Temido: “Não temos tido respostas à doença Covid-19 fora do SNS”. Confirma-se?

Coronavírus
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Em audição conjunta da Comissão da Saúde e da Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República, a 5 de novembro, a ministra da Saúde garantiu que não existe nenhuma barreira ideológica que iniba o Governo de recorrer ao setor privado para aliviar a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde, mas afirmou que não tem havido resposta da hospitalização privada para os doentes Covid-19. Verdade ou falsidade?

Interpelada por deputados do CDS-PP durante a audição parlamentar sobre a possibilidade de requisição dos outros setores da Saúde para ajudar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), numa altura em que o número de internamentos de doentes Covid-19 tem vindo a aumentar quase todos os dias, Marta Temido assegurou que o Governo está “a negociar desde há vários meses” e que não desistiu dessa negociação. 

Não temos tido respostas à doença Covid-19 fora do SNS. Não temos tido, ora por razões infra-estruturais, ora por razões de dificuldade e de incerteza, perfeitamente compreensíveis e que tentaremos negociar e acomodar”, afirmou a ministra da Saúde, defendendo que não se deve “envolver o SNS, os portugueses e a atividade assistencial em guerras que não existem”. 

A transferência de pacientes do SNS que estão infetados com o novo coronavírus para estabelecimentos de saúde privados foi igualmente abordada por Marta Temido durante uma entrevista no programa “Fórum TSF“, no mesmo dia 5 de novembro. “[No caso dos doentes Covid-19] tem sido mais difícil conseguirmos obter resposta noutros setores. Destacam-se aqui as colaborações do Hospital Fernando Pessoa, na região do Norte, para a recepção de doentes Covid-19. Até à data, para doentes Covid-19, não temos tido de facto capacidade de encontrar alternativas ou são muito escassas”, assumiu.

Estas declarações da ministra Marta Temido têm sustentação factual?

Ao Polígrafo, fonte oficial da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) desmente as afirmações da ministra da Saúde e garante que em março, no início da pandemia de Covid-19 em Portugal, “os hospitais privados disponibilizaram 354 camas ao SNS: 156 no Norte do país, 180 em Lisboa e 18 no Algarve”. Deste total, “75 eram camas de cuidados intensivos”. 

A APHP critica a atuação de Marta Temido, realçando que continua “à espera que o Ministério da Saúde tenha uma abordagem nacional e não caso a caso” e que “diga quantas camas precisa para os doentes Covid-19 e não Covid-19”. Na perspetiva da APHP, só assim “será possível gerir as necessidades nacionais de forma integrada e com o melhor resultado para os doentes”. 

Um dos casos de transferência de doentes do SNS para o setor privado aconteceu no Porto, tendo o Hospital CUF recebido, até hoje, seis doentes com Covid-19, três deles oriundos do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, dois do Hospital de Guimarães e um do Centro Hospitalar do Médio Ave (Famalicão).

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial do grupo CUF informa que está “a reforçar a capacidade de camas para doentes Covid-19, das 20 atuais para 36 camas, 22 no Porto e 14 em Lisboa”. Destes 36 leitos, nove são camas de cuidados intensivos.

A mesma fonte indica que “desde março, a CUF tratou mais de 180 doentes com Covid-19 nos seus hospitais, acompanhando mais de 1.900 doentes no domicílio”. Nas unidades da CUF estão internados, neste momento, 19 doentes com Covid-19.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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