Na passada quarta-feira, 19 de maio, a ministra da Saúde abordou o tema dos hospitais com contratos de PPP numa audição parlamentar (pode ver aqui).

Questionada por Álvaro Almeida, deputado do PSD, sobre porque é que o Governo vai acabar com as PPP's e “desperdiçar 50 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes portugueses”, Marta Temido respondeu com uma desvalorização da sua importância, dando como exemplo disso a escassez do seu contributo na luta contra a Covid-19.

"Os contratos de parceria público-privada de que temos vindo a dispor, claramente, não asseguram a dinâmica de resposta às necessidades assistenciais da população. Isso é claro quando no dia a seguir à assinatura do contrato, ele se encontra já desatualizado para a resposta a essa mesma dinâmica. Isso é claro quando nos confrontamos com circunstâncias como a resposta às necessidades assistenciais, por exemplo, da Covid-19", afirmou a ministra.

Ora, é ou não verdade que cerca de um mês antes, a 7 de abril, Marta Temido enviou uma carta dirigida à administração de cada uma das três PPP – Cascais, Loures e Vila Franca de Xira - a elogiar o seu contributo precisamente no que respeita ao combate à Covid-19?

A resposta é positiva, as três unidades hospitalares confirmaram a receção da carta de agradecimento. A mensagem remetida foi similar, variando apenas o nome de cada uma das entidades. A que foi enviada para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, tem o seguinte texto:

"Ao Hospital Beatriz Ângelo: Em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido e pelo excecional empenho dos seus profissionais de saúde no âmbito da resposta à Covid-19. Lisboa, 7 de abril de 2021"

As três unidades apresentaram ainda os dados de internamento Covid-19 desde o início da pandemia.

Segundo os dados enviados pelo Hospital Beatriz Ângelo, entre março de 2020 e maio de 2021, o hospital registou 2497 internamentos de doentes com Covid-19. O número de doentes assistidos na unidade hospitalar durante este período em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) foi de 499. O hospital de Loures partilha ainda que foram realizados 59462 testes de deteção do novo coronavírus.

Por sua vez, o Hospital de Vila Franca de Xira, em parceria público-privada com a CUF, revela que, desde o início da pandemia e até ao dia 20 de maio de 2021, estiveram internados em enfermaria 1462 doentes com Covid-19, bem como 119 em UCI. A unidade hospitalar partilha ainda o número máximo de doentes internados: 215 (199 em enfermaria e 16 em UCI), sendo que dispõe de um total de 300 camas, incluindo enfermaria e UCI.

Já o Hospital Dr. José Almeida, em Cascais, registou, desde março de 2020, um número total de internados Covid-19 em enfermaria de 1331, já em UCI estiveram internados 176 doentes. Segundo a unidade hospitalar, a taxa de esforço em UCI chegou aos 300%, "ao passar de 6 camas (UCI em período pré-pandemia) para 18 camas dedicadas a doentes Covid-19 e 4 para doentes não Covid". O hospital refere ainda que "as camas de internamento médico-cirúrgicas do Hospital de Cascais tiveram uma ocupação 70% para doentes Covid-19, estando as restantes a assegurar a assistência a casos mais urgentes da população".

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Avaliação do Polígrafo:

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