"A questão que eu acho que é talvez a marca mais negativa, é que Portugal perdeu lugares no ranking europeu, ou seja, no crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] per capita, perdeu três lugares durante estes sete anos. Perdeu, havia países que estavam atrás de nós, ou seja que eram mais pobres e que nos ultrapassaram, em termos comparativos", destacou Luís Marques Mendes, em comentário na SIC, ontem à noite, ao fazer um balanço dos sete anos de António Costa no cargo de primeiro-ministro.

"Portugal ultrapassou durante estes sete anos um país: a Eslováquia. Agora, houve quatro que nos ultrapassaram: a Lituânia em 2017, a Estónia em 2020 e a Hungria e a Polónia em 2021. (...) Ou seja, estamos mais próximos da cauda da Europa", afirmou.

Tem razão?

De acordo com os dados compilados pelo Eurostat, serviço de estatística da União Europeia, ao nível do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, em Paridades de Poder de Compra (PPC), Portugal baixou de 78% da média da União Europeia (com 27 Estados-membros, excluindo desde logo o Reino Unido que deixou de ser membro em 2020) em 2015, quando António Costa assumiu o cargo de primeiro-ministro, para 74% em 2021.

Entre os atuais 27 Estados-membros, Portugal ocupava a 17.ª posição em 2015, tendo caído para a 21.ª posição em 2021.

Ou mais precisamente, ocupava a 18.ª posição em 2015 - embora apresente a mesma percentagem da Eslováquia, o facto é que a Eslováquia tinha então um valor ligeiramente superior ao de Portugal.

Em 2015, Portugal ainda estava acima de nove outros Estados-membros, a saber: Estónia, Lituânia Grécia, Hungria, Polónia, Letónia, Croácia, Roménia e Bulgária.

Em 2021, porém, regista um PIB per capita (em PPC) superior a apenas seis outros Estados-membros, a saber: Roménia, Letónia, Croácia, Eslováquia, Grécia e Bulgária.

As ultrapassagens pela Polónia e Hungria verificaram-se precisamente em 2021.

No primeiro ano da pandemia de Covid-19, em 2020, a Polónia tinha um PIB per capita (em PPC) similar ao de Portugal, 76% da média da União Europeia, mas em 2021 subiu para 77%, enquanto Portugal baixou para 74%.

Quanto à Hungria, passou de 74% em 2020 para 76% em 2021, em sentido inverso ao da queda de Portugal.

  • Dívida pública saltou de 60% para mais de 100% do PIB durante governação de Sócrates?

    Em publicação no Facebook recorda-se uma suposta citação de António Costa que, em data incerta, terá dito que se orgulha "da visão estratégica e do impulso reformista com que, sob a liderança de José Sócrates, assumiu o Governo em 2005". E associa-se a declaração a um dos legados da governação de Sócrates: "passar a dívida de 60% do PIB para mais de 100% e deixar os portugueses na bancarrota."

Importa também salientar que em 2015, tanto a Polónia como a Hungria - com 69% e 70% da média da União Europeia, respetivamente - ainda estavam a grande distância de Portugal - com 78% da média da União Europeia.

Os outros dois países que ultrapassaram Portugal desde 2015 foram a Estónia - saltou de 76% para 87% da média da União Europeia em 2021 - e a Lituânia - saltou de 75% para 88% em 2021.

Confirma-se assim Portugal baixou três posições neste ranking desde que Costa é primeiro-ministro, tendo sido ultrapassado por quatro países.

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