No seu habitual espaço semanal de comentário na SIC, Marques Mendes foi ontem bastante cáustico relativamente às escolhas de António Costa para a composição do novo Executivo. Para o ex-líder do PSD, de novo a equipa governamental tem muito pouco: “Dá a sensação de que este não é um Governo verdadeiro, que é um remendo que vai ser remodelado dentro de dois anos.” Isto porque, sublinhou o social-democrata, “só tem duas caras novas", o que é, do seu ponto de vista, um problema, na medida em que "o Governo precisava de renovação”.

Marques Mendes tem razão quando diz que o elenco governamental só conta com duas caras novas?

A resposta é afirmativa. O novo Governo ganha cinco novos ministros, dos quais quatro são mulheres. Entre estas, três eram secretárias de Estado. Apenas dois elementos são verdadeiramente novos neste executivo: Ricardo Serrão Santos e Ana Abrunhosa. O primeiro , biólogo, ex-eurodeputado, substitui Ana Paula Vitorino como Ministro do Mar. A segunda, ex-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, onde coordenou o trabalho de reconstrução das zonas afetadas pelos incêndios de 2017 na região centro do país, tomará conta de uma nova pasta governamental: a da coesão territorial. 

As palavras de Marques Mendes dão uma nova atualidade a uma afirmação da autoria de Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, realizada no passado dia 16 de fevereiro em plena Convenção Europeia do PS: “Os nossos adversários eleitorais facilitaram-nos muito a vida, não é que foram escolher para cabeças-de-lista para as próximas eleições europeias exatamente os mesmos de há cinco anos atrás?

As palavras de Marques Mendes dão uma nova atualidade a uma afirmação da autoria de Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, realizada no passado dia 16 de fevereiro em plena Convenção Europeia do PS: “Os nossos adversários eleitorais facilitaram-nos muito a vida, não é que foram escolher para cabeças-de-lista para as próximas eleições europeias exatamente os mesmos de há cinco anos atrás? Como é que é possível ser portador do futuro com as caras do passado?"

A declaração contrasta agora com o elenco governamental que resultou das eleições legislativas, em que a renovação é, de facto, residual. Além de haver apenas dois ministros que não faziam parte do Governo anterior, há outros nomes fortes que há muitos anos transitam de Governo em Governo socialista. É o caso do próprio António Costa, que foi ministro de Guterres e de José Sócrates, mas também de Augusto Santos Silva (Guterres, Sócrates e Costa), Eduardo Cabrita (Guterres, Sócrates e Costa), ou Nelson de Sousa (Guterres e Costa).

Debate parlamentar
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA créditos: Lusa

Fique com o elenco completo do Governo socialista:

  • Primeiro-Ministro: António Costa
  • Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital – Pedro Siza Vieira (era Ministro Adjunto e da Economia)
  • Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – Augusto Santos Silva (era Ministro dos Negócios Estrangeiros)
  • Ministra de Estado e da Presidência – Mariana Vieira da Silva (era Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa)
  • Ministro de Estado e das Finanças – Mário Centeno (era Ministro das Finanças)
  • Ministro da Defesa Nacional – João Gomes Cravinho (continua na mesma função)
  • Ministro da Administração Interna – Eduardo Cabrita (continua na mesma função)
  • Ministra da Justiça – Francisca Van Dunen (continua na mesma função)
  • Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública – Alexandra Leitão (era Secretária de Estado Adjunta e da Educação)
  • Ministro do Planeamento – Nelson Souza (continua na mesma função)
  • Ministra da Cultura – Graça Fonseca (continua na mesma função)
  • Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – Manuel Heitor (continua na mesma função)
  • Ministro da Educação – Tiago Brandão Rodrigues (continua na mesma função)
  • Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – Ana Mendes Godinho (era Secretária de Estado do Turismo)
  • Ministra da Saúde – Marta Temido (continua na mesma função)
  • Ministro do Ambiente e da Ação Climática – João Pedro Matos Fernandes (era Ministro do Ambiente e da Transição Energética)
  • Ministro das Infraestruturas e da Habitação – Pedro Nuno Santos (continua na mesma função)
  • Ministra da Coesão Territorial – Ana Abrunhosa
  • Ministra da Agricultura – Maria do Céu Albuquerque (era Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional)
  • Ministro do Mar – Ricardo Serrão Santos

 Avaliação do Polígrafo:

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