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Marques Mendes diz que “há dois anos o PS tinha 21 pontos” de vantagem sobre o PSD nas sondagens. É verdade?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
"Há dois anos, o PS tinha 21 pontos de diferença em relação ao segundo, ao PSD. Agora tem sete", afirmou ontem Luís Marques Mendes, no espaço de comentário político que protagoniza no "Jornal da Noite" da SIC. Referia-se à mais recente sondagem Aximage e apontou vários "erros" de gestão política cometidos por António Costa como explicação para a "queda nas sondagens". Verificação de factos com enfoque nos números das sondagens.

“Eu acho que se nota, de há muito tempo a esta parte, que o PS está em queda. E acho que se nota que, o mesmo primeiro-ministro, António Costa, que eu e vários outros comentadores sempre dissemos que é uma pessoa com talento, mestria, habilidade política, há uma coisa que neste momento é muito difícil de perceber: Como é que uma pessoa com tanta habilidade política tem cometido tantos erros? Tantas falhas que comprometem, de facto, politicamente e eleitoralmente, o PS”, declarou ontem Luís Marques Mendes, antigo líder do PSD e atual comentador político no “Jornal da Noite” da SIC.

“São falhas no passado recente e são falhas no presente”, sublinhou Marques Mendes, enumerando vários exemplos, desde a gestão dos incêndios florestais até ao denominado “caso de Tancos”, passando pelo escândalo das relações familiares no Governo e a escolha de Pedro Marques como cabeça-de-lista do PS nas eleições europeias. Na perspetiva do comentador, esses sucessivos “erros” de gestão política explicam a queda do PS nas intenções de voto, referindo-se especificamente à mais recente sondagem da Aximage. “Há dois anos, o PS tinha 21 pontos de diferença em relação ao segundo, ao PSD. Agora tem sete“, afirmou, para depois concluir: “Isto é um problema sério”.

É verdade que “há dois anos o PS tinha 21 pontos” de vantagem sobre o PSD nas sondagens?

Ora, Marques Mendes referia-se à mais recente sondagem da Aximage (divulgada a 12 de abril), na qual o PS regista uma queda de 1,7 pontos para 34,6% enquanto o PSD dispara 3,4 pontos para 27,3%. A diferença entre os dois partidos cifra-se agora em 7,3%, pelo que essa parte da declaração do comentador é verdadeira.

 

 

Recuando dois anos, até abril de 2017, a sondagem de então da Aximage colocava o PS na liderança com 43,3% das intenções de voto, seguido pelo PSD com 25,4%, o que perfaz uma diferença de 17,9%. Ou seja, um número bastante inferior aos “21 pontos de diferença” invocados por Marques Mendes.

Não deixa de ser uma queda significativa do PS nas sondagens (apenas as da Aximage, ressalve-se), entre abril de 2017 e abril de 2019, com a diferença para o PSD a cair de 17,9% para 7,3%. Mas o facto é que Marques Mendes não foi rigoroso nos números que indicou, referindo-se a “21 pontos de diferença” que não se verificaram em abril de 2017.

Consultando um arquivo de sondagens desde 2009, porém, descobrimos que, na sondagem da Aximage em agosto de 2017, o PS tinha 44,3% das intenções de voto e o PSD tinha 23,6%, perfazendo uma diferença de 20,7%. Terá sido nessa sondagem que Marques Mendes estaria a pensar quando apontou para “há dois anos“. Não foi exatamente há dois anos (nem foram exatamente 21 pontos), mas ainda assim aceita-se como uma verdade aproximada, não totalmente rigorosa nos números e nas datas.

Avaliação do Polígrafo:

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