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Marisa Matias disse ser social-democrata após ter-se assumido publicamente como socialista?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Em entrevista à TVI, a candidata à Presidência da República apoiada pelo Bloco de Esquerda falou sobre as suas convicções políticas, garantindo que sempre se definiu politicamente como sendo social-democrata. Mas será isso verdade ou Marisa Matias entrou em contradição?

A afirmação da também eurodeputada do Bloco de Esquerda tem gerado intensas discussões, sobretudo nas redes sociais, desde que, na referida entrevista à “TVI”, Maria Matias afirmou o que segue: “Eu não tenho problema nenhum em dizer ‘eu sou uma social-democrata’. Sempre me assumi.”

Desafiada por Miguel Sousa Tavares a detalhar a natureza da sua opção ideológica, a eurodeputada acrescentou: “Com certeza haverá diferentes graduações e eu não sou uma social-democrata na mesma graduação que Marcelo Rebelo de Sousa ou até mesmo, se calhar, que o primeiro-ministro de Portugal. Mas isso não significa que a social-democracia seja um apanágio do centro. É um apanágio, acho eu, da boa tradição da esquerda, mas que se foi perdendo.” 

A confusão instalou-se por causa da comparação destas declarações com as que a bloquista produziu aquando da apresentação da sua candidatura à Presidência da República: “Sou socialista, laica e republicana. Vou à luta pelas minhas ideias ao lado de quem não desiste de Portugal. E Portugal precisa de uma política socialista”, garantiu, no passado dia 9 de setembro. 

A confusão instalou-se por causa da comparação destas declarações com as que a bloquista produziu aquando da apresentação da sua candidatura à Presidência da República: “Sou socialista, laica e republicana. Vou à luta pelas minhas ideias ao lado de quem não desiste de Portugal. E Portugal precisa de uma política socialista”, garantiu, no passado dia 9 de setembro. 

Afinal, entre socialismo e social-democracia, onde é que se encaixa o Bloco de Esquerda? O partido surgiu em 1999 como uma nova esquerda anti-capitalista, anti-conservadora, socialista, feminista e ecologista. Juntou três movimentos da esquerda radical: o movimento Política XXI, que se afirmavam “não alinhados” com a esquerda tradicional, o Partido Socialista Revolucionário, de inspiração trotskista e marxista, e a União Democrática Popular, partido comunista maoísta com origem nas lutas antifascistas do pós 25 de abril.

Ao ser o ponto de convergência entre as várias esquerdas que não se identificavam nem com o Partido Socialista nem com o Partido Comunista Português, o Bloco sempre teve dentro de si várias correntes. Em 2019, Catarina Martins associou, pela primeira vez, o Bloco de Esquerda à social-democracia, ao afirmar em entrevista ao “Observador” que ainda que o partido fosse um partido socialista, o programa que apresentava para as eleições legislativas era, “na sua essência, um programa social-democrata”. 

Assim, confirma-se que Marisa Matias disse em entrevista ser social-democrata, poucos meses depois de se afirmar socialista. 

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Avaliação do Polígrafo:

 

 

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