"Mário Nogueira, o dinossauro do sindicalismo português ao serviço da FENPROF, aproveita Abril para alertar contra o perigo do fascismo que começa agora através de um trânsfuga do PSD e do comentário desportivo a pôr outra vez as garras de fora e pede firmeza política para combater o fascismo da extrema-direita radical e reacionária que quer vender as escolas públicas aos professores, ou seja, uma forma encapotada de acabar com o ensino público, segundo o próprio", afirma-se no texto da publicação, datada de 24 de abril.
"Aproveita ainda para pedir legislação laboral que importe a obrigação de todos os trabalhadores serem sindicalizados! Que dizer destas palavras?", questiona-se de seguida.
Na imagem que acompanha a publicação, é atribuída a seguinte citação ao secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira: "Agora que se celebra Abril e a liberdade sindical, seria um imperativo nacional legislar no sentido da obrigatoriedade de todos os trabalhadores terem de ser sindicalizados para se cumprir o Portugal de Abril!"

Verdade ou falsidade?

Não é possível encontrar qualquer registo desta citação ou de um discurso idêntico proferido por Mário Nogueira nas suas mais recentes intervenções públicas ou entrevistas.

Na publicação é mencionado que estas afirmações surgiram "neste tempo de abril". No dia 24 de abril, Mário Nogueira falou aos jornalistas durante a Manifestação de Professores e Educadores, em Lisboa, "contra o bloqueio negocial imposto pelo Ministério da Educação". No entanto, as palavras do sindicalista nesta intervenção em nada se assemelham à transcrição da publicação em análise.

"Se a procura de soluções por via negocial é exigência de sempre, é com legitimidade acrescida que ela se reitera neste fim de semana em que assinalamos mais um aniversário do 25 de Abril. Os sindicatos e a negociação coletiva são elementos essenciais da democracia, pelo que fraca será a qualidade de uma democracia em que os detentores do poder desvalorizam a negociação e as organizações sindicais, como tem sido prática, em particular do Ministério da Educação", lê-se no documento que regista a intervenção do Secretário-geral da Fenprof na manifestação de 24 de abril.

Contactado pelo Polígrafo, Mário Nogueira confirma que não proferiu as palavras às quais é associado na publicação. "Nunca disse nada parecido com aquilo que é descrito, se há coisa que eu prezo e que acho que deve existir é a liberdade sindical, ou seja, a liberdade das pessoas decidirem ou não sindicalizar-se".

O sindicalista afirma igualmente que nunca lançou, nas suas intervenções públicas, qualquer alerta relacionado com a emergência de forças da extrema-direita. "A minha abordagem sempre foi a de ignorar, nos meus discursos e intervenções, esse tipo de comentários a pessoas ou movimentos que não se importam de ser bem ou mal falados desde que sejam falados", conclui.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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