"Por acaso esta semana vou a Fátima outra vez. E vou lá e vou já pedir pá 'por amor de Deus, pá, tire-me estas
coisas da cabeça e fo***** mantenha-me calmo' porque, ouve, epá eles podem agradecer todos os dias à Nossa Senhora, estes filhos da **** podem agradecer todos os dias à Nossa Senhora eu ser católico e pá andar contigo porque, pá, se não fosse isso, olha isto era agarrá-los de norte a sul do país, como fizemos em 2005, começar a ir buscá-los todos às casas e rebentá-los todos".

Esta é a parte substancial de um vídeo em que Mário Machado, fundador e líder de movimentos de extrema- direita, verbaliza a sua repulsa pela vandalização do Padrão dos Descobrimentos e ódio pelos autores deste tipo de atos.

A mensagem audiovisual (ou trecho de uma conversa) que aparenta ter sido dirigida a um amigo acabou por ser publicada no Twitter, por Mamadou Ba, ativista antirracista. No dia 12 de Agosto, precisamente na sequência da polémica com as frases grafitadas no Padrão dos Descobrimentos, Mamadou Ba divulgou na sua conta de Twitter o já citado vídeo, com esta introdução: "Se o racismo fosse crime público, o MP abriria logo inquérito contra este criminoso por incitamento ao ódio e à violência."

A troca de comentários que se seguiu entre Mário Machado e alguns amigos ou conhecidos permitiu perceber o que se passou:

E a que se referia Mario Machado com a frase "como fizemos em 2005"?

Esse é o ano referenciado para a fundação do Portugal Hammerskins (PHS), uma das ramificações europeias do mais violento movimento de extrema-direita dos Estados Unidos (os Hammerskins) nos anos 1990. Mário Machado liderou os PHS durante vários anos.

A pesquisa pelas notícias de/sobre 2005 permite encontrar alguns episódios de violência ou coação nos quais Mário Machado esteve comprovadamente envolvido ou de que foi, pelo menos, acusado.

O episódio que teve maior notoriedade diz respeito à prática de crimes como os de sequestro, extorsão e ofensa à integridade física a um antigo elemento do grupo motard Hells Angels, alegadamente cometidas por sete elementos desse grupo e Mário Machado (que então mantinham boas relações), no Algarve, em julho de 2005.

A pesquisa pelas notícias de/sobre 2005 permite encontrar alguns episódios de violência ou coação nos quais Mário Machado esteve comprovadamente envolvido ou de que foi, pelo menos, acusado.

Em maio de 2005, Mário Machado e mais quatro "cabeças- rapadas" deslocaram-se propositadamente a Coruche para participarem da contenda então existente entre a comunidade cigana e parte da população local. Acabaram identificados pela GNR.

Ainda no mesmo ano, Mário Machado também esteve envolvido numa rixa num posto de combustível de Cantanhede, factos que determinaram a sua condenação pelos crimes de dano e detenção de arma proibida.

Mário Machado, com um vasto histórico de ligações a organizações de extrema-direita, nacionalistas e neonazis já foi condenado por diversos crimes relacionados com discriminação racial associada a violência e também de delito comum, tendo estado preso cerca de dez anos.

É, portanto, verdadeiro que há um vídeo no qual Mário Machado diz que, em 2005, em conjunto com outras pessoas, foi "buscar a casa" e "rebentou", de norte a sul, aqueles que se depreende serem os seus adversários ideológicos.

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Avaliação do Polígrafo:

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Verdadeiro
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