"Vou mudar de cofre que o que geri está cheio mas é da Dívida Pública que foi sempre a subir e dos 231 mil milhões que lá encontrei deixo agora 262 mil milhões. Digam lá que não tenho razão para fugir", salienta-se no texto da publicação em causa.

Verdade ou falsidade?

De facto, a dívida bruta passou de cerca de 235.746 milhões de euros em 2015 para 249.980 milhões de euros em 2019, ano em que o Estado português registou um excedente orçamental de 0,2% do PIB, algo que já não acontecia desde 1973. Pode conferir nas estatísticas oficiais compiladas na base de dados Pordata.

Estes números também podem ser confirmados na base de dados estatísticos do Banco de Portugal (mais especificamente aqui).

Para o ano de 2020 há uma projeção que aponta para uma dívida bruta de 252.133 milhões de euros. Importa ressalvar que estes números ainda não são definitivos.

No momento em que Mário Centeno sai do Governo, porém, a situação financeira alterou-se substancialmente, devido ao impacto da pandemia de Covid-19.

De acordo com a proposta de Orçamento Retificativo apresentada no dia 9 de junho, o Governo estima uma contracção do PIB de 6,9% e um défice de 6,3% este ano, ao passo que a dívida pública ultrapassará os 134,4% do PIB, valor máximo de sempre.

No que concerne a 2020, trata-se ainda de uma estimativa. Quanto a 2015, a publicação sob análise difunde uma evidente falsidade.

Importa ainda salientar que, apesar do aumento da dívida bruta, o facto é que a dívida pública registou uma diminuição em percentagem do PIB entre 2015 e 2019.

Em 2015, a dívida pública fixou-se em 131,2% do PIB e no ano seguinte, primeiro com inteira responsabilidade do então novo Governo e novo ministro das Finanças, aumentou ligeiramente para 131,5% do PIB.

A dívida pública baixou entretanto para 117,7% do PIB em 2019, número que ainda não é definitivo. Ou seja, verificou-se uma trajetória descendente na evolução da dívida pública em percentagem do PIB, ainda que tenha aumentado em valores absolutos no mesmo período temporal de 2015 a 2019.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

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