No texto,  que é acompanhado por um print de uma notícia do Jornal de Notícias em que surge destacado Mário Centeno, ex-Ministro das Finanças entre 2015 e 2020, faz-se uma comparação: “(...) aos pobres reformados dão o elevado aumento de 33 cêntimos por dia”. Já “para estes nobres indivíduos aumentam os salários em 50%”. Lê-se ainda que “não faz mal, que o Zé Povinho paga de bom grado esse vosso mérito”.  Os “nobres indivíduos” de que fala o autor da publicação são os “novos membros” do Banco de Portugal (BP), liderado por Mário Centeno desde que, em Julho passado, foi nomeado Governador pelo Governo de António Costa.

centeno

Mas será que Mário Centeno foi beneficiado por este aumento de salários nos termos em que a publicação de 12 de outubro dá a entender?

A resposta é negativa, porque os aumentos em causa foram decididos muito antes de Centeno entrar no BP. Na verdade a notícia partilhada foi publicada pelo Jornal de Notícias a 4 de maio de 2018. Na época, o Governo tinha nomeado três novos membros para o Conselho de Auditoria – e não para a administração - do Banco de Portugal e aumentou o seu vencimento em mais de 50%.

À data, o Ministério das Finanças, então liderado por Mário Centeno, informou que “a remuneração (bruta) dos membros do Conselho de Auditoria do BdP foi aproximada da remuneração (bruta) auferida pelos membros das comissões de fiscalização dos outros supervisores financeiros”.

Os aumentos em causa foram decididos muito antes de Centeno entrar no BP. Na verdade a notícia partilhada foi publicada pelo Jornal de Notícias a 4 de maio de 2018. Na época, o Governo tinha nomeado três novos membros para o Conselho de Auditoria – e não para a administração - do Banco de Portugal.

Assim, é falso que Mário Centeno tenha saído beneficiado por esta medida desde que chegou ao seu novo cargo, visto que em 2018 ainda era ministro das Finanças e só assumiu o cargo de Governador do BdP em julho de 2020, mais de dois anos depois da notícia partilhada pelo utilizador do Facebook. Além disso, os aumentos de que fala a notícia em causa destinavam-se aos membros do Conselho de Auditoria e não aos do Conselho de Administração.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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