No debate de urgência desta tarde, na Assembleia da República, pedido pelos liberais a propósito dos “efeitos da guerra e da sobrecarga fiscal no dia a dia dos portugueses”, Mário Amorim Lopes, deputado do Iniciativa Liberal (IL) afirmou o seguinte: “Se os portugueses pagam impostos até junho, se passam um ano a trabalhar e só começam a trabalhar para o seu bolso a partir de junho, então o mínimo que se exige é que, em momentos de sufoco, o Estado seja capaz de devolver algum [dinheiro].”
Em causa o chamado “dia de libertação fiscal”, um indicador medido anualmente num estudo do Instituto Económico francês Molinari com dados da consultora EY. Segundo este relatório, que tem em conta o salário médio de um trabalhador solteiro e sem filhos (e que por isso não deve ser generalizado a todos os portugueses), em 2025 o dia da libertação de impostos aconteceu a 7 de junho, mais cedo do que em 2024 (13 de junho). Nesse ano, no entanto, houve um “prolongamento” deste dia face a 2023.
Portugal ficou por isso, no último ano, melhor posicionado do que a média da União Europeia (11 de junho). Alemanha, Áustria, França e Bélgica são os quatro países onde este dia só acontece em julho (8, 14, 16 e 18, respetivamente).
Feitas as contas, Amorim Lopes tem razão… mas faltou dizer que os cálculos têm em conta o salário médio e as contribuições de um português solteiro e sem filhos que, à partida, não beneficia de alívios fiscais.
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Avaliação do Polígrafo:

