Daqui a menos de duas semanas saberemos se Marinho e Pinto, candidato do Partido Renovador Democrático, renovará o seu mandato como deputado no Parlamento Europeu. Recorde-se que nas últimas Europeias, em 2014, o ex-bastonário da Ordem dos Advogados foi a grande sensação na noite eleitoral, ao obter 7,15% dos votos.

O próximo dia 26 de maio será o culminar de um percurso recheado de contradições. Sobre o Parlamento Europeu Marinho e Pinto, de 68 anos, já afirmou que se trata de uma entidade inútil, mas recandidata-se ao lugar. Também já se manifestou chocado com a “fortuna” que os eurodeputados auferem, mas recusa-se, por exemplo, a prescindir de uma parte do salário para, à imagem do que fazem outros eurodeputados, atribuir bolsas de estudo a estudantes carenciados.

 Vejamos três exemplos das contradições de Marinho e Pinto:

1.

Declarações à TVI um mês após a sua eleição, em 2014:

“Aquilo [PE] é uma corte (...) temos deputados que entram lá muito radicais contra a Europa e saem de lá todos europeus.”

“ [o salário elevado] é uma forma de comprar consciências.”

“O salário é obsceno. Num país onde há idosos que morrem por não ter 20 ou 30 euros para comprar um medicamento, a quem recusam um tratamento por não terem 12 euros para pagar a taxa moderadora... “

“É espantoso como uma pessoa pode receber 6 mil e tal euros a mais que o ordenado só em ajudas de custo. Depois tem mais 4 mil e tal euros para despesas.”

Pode ver estas imagens aqui.

Em suma: apesar de o PE ser uma "corte" onde se praticam salários "obscenos", Marinho e Pinto insiste na candidatura.

marinho e pinto
Os memes com Marinho e Pinto como protagonista sucedem-se na internet

2.

Entrevista radiofónica em 2014:

“Eu candidatei-me ao PE e depois de chegar lá vi certas coisas que existiam e disse claramente a quem me pôs lá que nas próximas eleições me mudassem de lá para a Assembleia da República (...) lá ganha-se muito bem, ganham-se 18 mil euros por mês, mas não estou a fazer na política aquilo que gostaria de fazer: contribuir para resolver os problemas nacionais, contribuir para mudar o estado de coisas.”

“O Parlamento Europeu é uma falsidade. Um Parlamento que não tem iniciativa legislativa não é um verdadeiro Parlamento.”

Pode ouvir a entrevista aqui.

Em suma: apesar de o PE ser uma "falsidade" e de ser um espaço onde não está a fazer na política "aquilo que gostaria de fazer", Marinho e Pinto volta a colocar o seu nome no boletim de voto.

marinho e pinto

3.

Entrevista ao Diário Económico [entretanto extinto] em 17/08/2014, quando anunciou que sairia do PE para se candidatar às legislativas:

“Verifiquei uma coisa que não sabia antes: o Parlamento Europeu não tem utilidade. É um faz-de-conta. Não manda nada, apesar de todas as ilusões, todas as proclamações, que são mentiras.”

Pode ler um artigo com o resumo da entrevista (link não disponível) aqui.

Em suma: apesar de ser uma instituição "inútil" que "não manda nada", o PE é o local onde Marinho e Pinto quer passar os próximos cinco anos.

Avaliação do Polígrafo:

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