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Mariana Mortágua: “No ano passado ainda houve mais 22 vítimas de violência doméstica, quase todas mulheres”

Política
O que está em causa?
E "duas delas meninas", lamentou esta tarde a líder do Bloco de Esquerda (BE), ao discursar num comício em Lisboa. Apelou ao voto das mulheres, cuja voz "é a força da democracia", sublinhando que "a história do Bloco de Esquerda tem sido a história da luta das mulheres por um país de iguais".

Num discurso centrado nas mulheres, proferido esta tarde em Lisboa, Mariana Mortágua pediu a todas que votem “como mulheres” e, subsequentemente, “votem pela igualdade como mulheres, pela casa, pela Saúde, pela escola, pela creche. Votem Bloco de Esquerda, a força da igualdade e do respeito”.

“A voz das mulheres é a força da democracia. E não, não aceitamos que nos interrompam”, afirmou a líder do Bloco de Esquerda. Na mesma intervenção em que prometeu que a lei do aborto será “melhorada” e “completada” na próxima legislatura, alertando para a “direita que não desiste” da perseguição às mulheres nessa matéria, em referência às polémicas declarações de Paulo Núncio, vice-presidente do CDS-PP que integra a coligação Aliança Democrática.

Além da questão do aborto, Mortágua falou sobre a violência de género, lamentando que “no ano passado ainda houve mais 22 vítimas de violência doméstica, quase todas mulheres, duas delas meninas”. Nesse âmbito garantiu que não vai desistir de tentar minorar esta “listagem tenebrosa que envergonha o país” e lutar pela “verdadeira segurança coletiva deste país: a segurança das mulheres”.

O número indicado tem sustentação factual?

Sim. No dia 28 de fevereiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgou o mais recente relatório sobre o fenómeno dos homicídios em contexto de violência doméstica referente aos casos ocorridos em 2023, com análise dos respetivos indicadores.

Uma análise efetuada com base no trabalho de monitorização e acompanhamento desenvolvido pelo Gabinete da Família, da Criança, do Jovem e do Idoso e contra a Violência Doméstica da PGR, informa-se no respetivo portal.

De acordo com os dados do relatório, no ano de 2023 foram registadas um total de 22 vítimas de homicídios em contexto de violência doméstica: 17 mulheres, duas crianças e três homens.

Ao que acresce mais oito mortes resultantes de suicídio da pessoa agressora, em ato contínuo ao homicídio executado. A taxa de suicídio corresponde assim a 36% da totalidade dos casos, sublinha-se.

Entre os “dados essenciais quanto à caracterização”, realce para o facto de a quase totalidade das pessoas agressoras ter nacionalidade portuguesa, assim como das vítimas.

Ou para o facto de em 16 dos casos ter sido identificada uma relação de “conjugalidade ou similar, atual ou pretérita”, o que equivale a uma percentagem de 72%.

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Avaliação do Polígrafo:

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