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Mortágua destaca “aumento do número de pessoas sem médico de família”, subida do “preço das casas” e “perda de poder de compra” em dois anos. Tem razão?

Política
O que está em causa?
Em período de pré-campanha, os líderes partidários têm-se dividido entre debates televisivos, declarações públicas e entrevistas à comunicação social. Ao Jornal de Notícias (JN), a bloquista Mariana Mortágua destacou aquilo que considerou serem as consequências nefastas de “dois anos de governação de maioria absoluta”. Será que utilizou os argumentos corretos?

Apesar de terem sido parceiros na altura do Governo de “geringonça” do PS, suportado pelo PCP e Bloco de Esquerda na Assembleia da República, a dirigente dos bloquistas, Mariana Mortágua, não poupou nas críticas, em entrevista publicada hoje ao “Jornal de Notícias” (JN), aos dois anos de governação que se seguiram à queda desse Executivo.

“Olhamos para dois anos de governação de maioria absoluta e vemos um aumento do número de pessoas sem médico de família, uma subida imparável do preço das casas e uma perda de poder de compra acelerada porque os preços dispararam e os salários não acompanharam esse aumento”, acusou a líder do Bloco de Esquerda.

Mas será que se confirma a informação avançada por Mariana Mortágua? 

O atual Governo, agora em gestão, tomou posse a 30 de março de 2022. No que toca ao número de utentes sem médico de família atribuído, segundo os últimos dados disponíveis no portal “Transparência” do SNS, no mês citado eram 1.235.831. Em janeiro deste ano, contabilizavam-se já 1.647.700 – o que comprova o aumento mencionado por Mariana Mortágua. 

Quanto ao preço das casas, os mais recentes números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao terceiro trimestre do ano passado, aponta que o valor mediano das vendas de alojamentos familiares foi de 1.641 euros por metro quadrado. Um aumento, de facto, face ao primeiro e segundos trimestres de 2022, quando esse indicador se fixava nos 1.454 e 1.494 euros por metro quadrado, respetivamente.

Olhemos, finalmente, para a questão do poder de compra. De facto, o relatório “Estado da Nação 2023”, divulgado pela Fundação José Neves em junho passado, concluiu que “o aumento do salário médio entre 2021 e 2022 não foi suficiente para cobrir o aumento da inflação e registou-se uma perda do poder de compra, mais acentuada desde o início da década passada”.

Por sua vez, dados atualizados recentemente pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) sobre o rendimento disponível das famílias per capita – ou, por outras palavras, o “rendimento disponível real (ajustado à inflação) das famílias per capita – mostram que este indicador baixou de 110,80 no segundo trimestre do ano passado para 110,49 no terceiro (o número mais recente). Porém, no primeiro trimestre de 2022, altura da tomada de posse, o valor era bastante semelhante – 110,43 – pelo que importa notar uma ligeira imprecisão na informação mencionada pela bloquista.

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Avaliação do Polígrafo:

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