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Marcus Santos, do Chega, é o primeiro deputado luso-brasileiro a ter lugar na Assembleia da República?

Política
O que está em causa?
O quinto eleito pelo Chega no círculo eleitoral do Porto, Marcus Santos, já alertou: "Agora não tem jeito." Na rede social X, onde festejou o mandato, o luso-brasileiro até já foi vítima de xenofobia, mas os militantes sobrepõem a isso o orgulho de o seu partido ter eleito "o primeiro brasileiro na Assembleia da República". É verdade?

“Marcus Vinicius Teixeira Soares dos Santos eleito deputado pelo Chega. O Chega é o primeiro partido a colocar um brasileiro na Assembleia. Será que a esquerda vai aplaudir e o próprio CH vai criticar? Tou com mixed feelings”, destaca-se num tweet de 10 de março.

chega

Na mesma noite, Marcus Santos, nascido no Rio de Janeiro, festejava: “Agora não tem jeito… A extrema esquerda racista, fascista e a comunicação social mentirosa vão ter que levar com o negão do Chega. Viva, Portugal.”

[twitter url=”https://twitter.com/marcussantosbtt/status/1767146505712853194″/]

Mas será verdade que este auto-intitulado “negão do Chega” é o primeiro luso-brasileiro a ter lugar na Assembleia da República?

Não. O histórico revela que Paulo Porto Fernandes, eleito pelo círculo eleitoral de Fora da Europa nas listas do PS e luso-brasileiro se sentou como deputado no Parlamento português cinco anos antes. Nascido em São Paulo, o socialista concorreu em 2019 e ficou na Assembleia até 2022.

Há um outro deputado mais antigo, Carlos Páscoa Gonçalves, do PSD, que exerceu sucessivos mandatos (também eleito pelo círculo de Fora da Europa) entre 2005 e 2019. Detém o título de Cidadão Honorário do município do Rio de Janeiro, Brasil, onde reside e aliás fundou a secção local do PSD, mas a verdade é que nasceu em Soure, distrito de Coimbra, Portugal, em 1952. Só emigrou para o Rio de Janeiro quando tinha cerca de 18 anos de idade.

Ao contrário de Paulo Porto Fernandes que nasceu em São Paulo, ou Marcus Santos que nasceu no Rio de Janeiro, o facto é que Carlos Páscoa Gonçalves nasceu em Soure, Portugal, pelo que adoptamos como critério o local de nascimento (até porque no tweet em causa se faz referência a “brasileiro”, apontando para a origem do mesmo).

Ainda no conjunto de deputados que nasceu no Brasil está Miguel Tiago, natural do município brasileiro João Pessoa e que foi eleito à Assembleia da República pelo Partido Comunista Português (PCP) entre 2005 e 2018.

Já o deputado do Chega, que até sofreu xenofobia – “Já que vais ‘representar’ o povo português podias pelo menos esforçar-te para falar em português”, pode ler-se nas caixas de comentários do seu perfil no X – foi o quinto eleito pelo Porto e o terceiro nascido no Brasil a conseguir um lugar no Parlamento.

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Nota Editorial: Texto atualizado às 19h58 para acrescentar informação sobre o ex-deputado comunista Miguel Tiago. A avaliação não sofreu alterações.

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Avaliação do Polígrafo:

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