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Marcelo promoveu a “substituição da população portuguesa” durante visita a uma universidade timorense?

Política
O que está em causa?
Na rede social X, Rui Fonseca e Castro, juiz negacionista expulso da magistratura em 2021, partilhou um excerto em vídeo de uma declaração do Presidente da República na Universidade Nacional Timor Lorosa'e, em Díli. Sobreposto ao vídeo lê-se, em letras vermelhas, que Marcelo estaria a "promover a substituição da população portuguesa". Confirma-se?

“Não vão todos ao mesmo tempo…”, destaca Rui Fonseca e Castro, o juiz negacionista expulso da magistratura em outubro de 2021, num tweet publicado ontem (9 de abril) em que é mostrado um excerto de um discurso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, alegadamente na Universidade Nacional Timor Lorosa’e, em Díli.

No curto vídeo, que já se tornou viral, ouve-se Marcelo a recomendar ao público que tenha “melhores contactos [com Portugal]” e que venham “mais a Portugal”, mas “não todos ao mesmo tempo”, caso contrário o ministro das Finanças protestaria imediatamente. “Vão assim por fatias”, conclui o Presidente no excerto partilhado na rede social X.

Inscrito a letras vermelhas sobrepostas às imagens lê-se: “Marcelo Rebelo de Sousa na Universidade Nacional Timor Lorosa’e a promover a substituição da população portuguesa.”

Mas será que Marcelo estava mesmo a promover uma suposta “substituição populacional”?

Não. O excerto de apenas 20 segundos foi extraído de um vídeo de 11 minutos, publicado na página da Presidência no âmbito de uma visita à Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), em Díli, em maio de 2022. Depois de uma cerimónia de boas-vindas, o chefe de Estado discursou perante um grupo de alunos da UNTL, no Centro de Língua Portuguesa da Universidade.

Marcelo convidou o grupo a visitar Portugal “em fatias”, mas naquele contexto em particular, mostrando-se, inclusive, disponível para receber os estudantes universitários no Palácio de Belém, em Lisboa, para uma conversa “informal”.

As declarações de Marcelo geraram, meses mais tarde, uma necessidade de esclarecimento após ter sido noticiado que havia 865 timorenses referenciados pelo Comissariado das Migrações.

Durante o final de um encontro, em outubro de 2022, com o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, em que se abordou a situação dos imigrantes timorenses noticiada dias antes, Marcelo rejeitou ter incentivado a imigração timorense para Portugal durante a sua visita a Díli em maio desse ano.

Antes sequer de ser confrontado pelos jornalistas, o Presidente quis justificar que as suas palavras na universidade timorense foram proferidas em contexto universitário e não dirigidas a “trabalhadores indiferenciados”.

“Fui muito preciso, falei para estudantes universitários e até acrescentei: mas não venham muitos, venham em fatias moderadas. Eu até disse, ironicamente: se não criasse um problema em Portugal, financeiro, económico”, sublinhou.

Na mesma conferência de imprensa, Ramos-Horta especificou que a migração se devia “a atos ilegais de grupos sem escrúpulos”, que fazem “promessas falsas aos jovens” e “vendem ilusões” sobre a vida em Portugal ou Canadá.

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Avaliação do Polígrafo:

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