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Mapa que mostra baixo consumo de sacos plásticos em Portugal é autêntico, mas 2020 trouxe aumento de 122%

Ambiente
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Não é todos os dias que Portugal é congratulado pelos avanços no que toca ao ambiente. Desta vez, porém, uma imagem difundida nas redes sociais mostra que os portugueses são os cidadãos europeus que menos usam sacos de plástico no seu dia-a-dia. É assim?

“Uso de sacos de plástico na Europa. Parabéns Portugal”. As palavras servem de descrição para um gráfico, divulgado este domingo, 2 de outubro, no Twitter, onde Portugal surge em primeiro lugar no ranking de países europeus que menos recorrem aos sacos de plástico.

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No mapa, países como a Lituânia, Letónia e República Checa surgem “manchados” pelo uso excessivo de sacos de plástico (consumo anual per capita). Por outro lado, Polónia, Bélgica e Portugal representam os três países que, em 2019, fizeram menos uso deste recurso.

Em causa estão os sacos de plástico que habitualmente se compram em supermercados (de peso reduzido). O Polígrafo consultou o “post” original, da autoria do portal de análise de dados “Landgeist“, onde se destaca que,  “para reduzir a poluição de plásticos e microplásticos, mais países começam a incentivar ou até mesmo a criar legislação para reduzir o uso de sacos plásticos leves”.

O mapa em causa mostra assim “o consumo anual de todos os sacos de transporte leves feitos de plástico, que são fornecidos aos clientes nos pontos de venda de mercadorias ou produtos”. Curiosamente, explica o “Landgeist”, os “países bálticos e nórdicos têm o maior consumo de sacos plásticos leves“.

O Polígrafo consultou ainda os dados originais, divulgados no portal do gabinete de estatística europeu “Eurostat“. Importa notar, porém, que não pode ainda ser traçada nenhuma tendência quanto ao uso destes sacos, já que os dados só comelaram a ser compilados em 2018. Nesse ano, não há sequer dados para vários países europeus, inclusive Portugal.

Já em 2019, os dados recolhidos confirmam que é mesmo em Portugal que é encontrado o menor consumo anual de sacos de plástico leves (SPL) per capita (7,7), o que constrasta com o consumo astronómico em países como a Lituânia (331,5), a Letónia (283,4), a República Checa (247,4) e a Bulgária (198,6).

Em Portugal, os sacos plásticos leves estão sujeitos a uma contribuição (8 cêntimos + IVA) “com o objetivo de promover e motivar para um comportamento mais sustentável dos consumidores, dos produtores e dos comerciantes”, informa a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Importa no entanto notar que, de acordo com o balanço feito pela APA entre 2015 e 2020, partilhado em julho deste ano e disponível aqui, o número de sacos de plástico por consumo anual de habitante aumentou em 2020 para 17,1, o valor mais alto dos últimos sete anos. Esta subida traduz-se num aumento percentual entre 2019 e 2020 de 122%.

Além disso, apesar de ter baixado entre 2015 e 2019, o número de sacos de plástico leves introduzidos no mercado voltou a subir em 2020 (para números superiores aos de 2015). Pode verificar no gráfico abaixo estes dados, bem como os do crescimento do consumo e das exportações.

apa

Segundo a avaliação da APA, “entre 2015 e 2018 registou-se uma redução gradual do número de SPL introduzidos no consumo, com exceção dos utilizados em donativos, bem como dos SPL expedidos/exportados”. Já em 2019, “a tendência do número de SPL introduzidos no consumo, com exceção dos utilizados em donativos, registou um pequeno aumento, continuando os SPL expedidos/exportados a manter uma tendência decrescente”.

“Contudo, em 2020 regista-se uma propensão de crescimento no consumo mais vincada em todas as categorias analisadas, com destaque para os SPL destinados a conter géneros alimentícios/gelo e sobretudo para os SPL expedidos/exportados”, nota a Agência, que enquadra ainda os números portugueses nos objetivos europeus:

“O consumo per capita de SPL verificado em 2020 situou-se nos 17,1 sacos/hab, ainda abaixo das metas estabelecidas na Diretiva (UE) 2015/720 de 90 e 40 sacos por habitante até 31 de dezembro de 2019 e de 2025, respetivamente, mas mais do dobro do valor de 8,0 sacos/hab registado em 2019, denotando-se uma tendência crescente de consumo desde 2018.”

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