"Salvem o planeta, gritaram milhares de jovens em Nova Iorque". Esta é a mensagem inscrita na primeira imagem da publicação que se tornou viral nas redes sociais, com especial incidência no Facebook, acumulando largos milhares de partilhas.

A imagem mostra uma recente manifestação de jovens (entre os quais se destaca a ativista sueca Greta Thunberg) contra as alterações climáticas, em Nova Iorque, Estados Unidos da América (EUA), à margem das cimeiras da Juventude e da Ação Climática que se realizaram na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), entre os dias 21 e 23 de setembro.

"Fim da manifestação", destaca-se por cima da segunda imagem que, por sua vez, mostra uma enorme quantidade de lixo que esses jovens supostamente terão deixado no local da manifestação.

As imagens em causa são autênticas? Confirma-se que a manifestação de jovens pelo clima em Nova Iorque deixou um jardim repleto de lixo? Verificação de factos.

A primeira imagem é autêntica e foi captada numa manifestação realizada na sexta-feira, dia 20 de setembro, em Nova Iorque, no âmbito da Greve Global pelo Clima, com a participação de Greta Thunberg.

A segunda imagem também é autêntica, mas está completamente descontextualizada, não tendo sido captada em Nova Iorque, nem sequer nos últimos dias ou semanas. Na verdade foi captada no Hyde Park de Londres, Reino Unido, informação que o Polígrafo comprovou através da aplicação TinEye.

Em Portugal e no Brasil, a imagem do jardim repleto de lixo está a ser difundida como sendo em Nova Iorque, associada à recente manifestação em que participou Greta Thunberg. Noutras latitudes (e línguas) das redes sociais, porém, aponta-se para o Hyde Park de Sydney, Austrália, como a respetiva origem, na maior parte das publicações.

A confusão entre Sydney e Londres resulta de uma das primeiras publicações da imagem que surgiu no dia 20 de setembro, na página do movimento "Australian Youth Coal Coalition" (tal como a denominação prenuncia, trata-se de um grupo que defende a utilização do carvão como recurso energético, mesmo sendo não renovável) no Facebook. Nesse dia realizou-se também uma manifestação da Greve Global pelo Clima no Hyde Park de Sydney. A publicação criticava os jovens manifestantes australianos pelo estado em que deixaram o jardim.

Ora, a estação de televisão australiana 7News confirmou entretanto que a imagem do jardim cheio de lixo foi captada no dia 20 de abril de 2019, há cerca de quatro meses, no Hyde Park de Londres, Reino Unido. Mais, foi captada após um encontro de "entusiastas de marijuana", sem qualquer relação com as manifestações da Greve Global pelo Clima.

Ou melhor, há uma relação com os manifestantes da Greve Global pelo Clima, mas no sentido diametralmente oposto: o lixo foi deixado pelos "entusiastas de marijuana" e posteriormente recolhido por ativistas do movimento Extinction Rebellion que se tinham manifestado num local próximo, junto ao Marble Arch, no mesmo dia.

Já nessa altura a imagem em causa tinha sido alvo ou objeto de desinformação nas redes sociais, ao ser partilhada juntamente com mensagens que culpavam os jovens manifestantes pelo clima de terem deixado tanto lixo espalhado no jardim, quando na verdade foram esses manifestantes que ajudaram a recolhê-lo.

Aliás, a Royal Parks, instituição de caridade que gere a manutenção de um conjunto de jardins e parques em Londres, publicou então um comunicado através do Twitter, esclarecendo sobre o que realmente tinha acontecido.

Ora, quatro meses depois, a mesma imagem volta a ser utilizada para desinformar e descredibilizar os jovens manifestantes da Greve Global pelo Clima, desde Sydney até Nova Iorque, embora tenha origem em Londres, num evento relacionado com a planta de canábis.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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