“Nas ruas de Bruxelas, Paris, Londres, Estocolmo, Barcelona ou Algeciras, os nossos compatriotas não estão a morrer por causa das alterações climáticas. Morrem porque lhes cortam a garganta ou porque são baleados com uma AK-47. O terrorista islâmico de ontem era um imigrante ilegal com um historial de terrorismo.”

As palavras foram proferidas pelo eurodeputado espanhol Jorge Buxadé Villalba, do Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus, no contexto do debate sobre o Programa de Trabalho da Comissão Europeia para 2024, no passado dia 17 de outubro, no Parlamento Europeu. Isto na sequência de um ataque terrorista que tinha, na noite anterior, tirado a vida a dois turistas suecos na capital da Bélgica, Bruxelas.

No discurso, mostra-se contra as políticas migratórias que têm sido adotadas, pela União Europeia, ao longo dos últimos anos - numa altura em que o novo Pacto Europeu de Migração e Asilo continua a ser debatido no seio das instituições europeias 

Excertos da sua intervenção estão a ser partilhados nas redes sociais - tendo, inclusive, sido enviados ao Polígrafo para verificação do conteúdo. Perante as afirmações deste eurodeputado, importa questionar: será que a maioria dos terroristas islâmicos identificados na União Europeia são "imigrantes ilegais"?

Não. Um relatório do “think thank” eslovaco GLOBSEC, publicado em 2018, fez um mapeamento sobre “Quem são os Jihadis europeus?”, com base nos dados dos 11 países europeus com o maior número de detenções por crimes de terrorismo: Áustria, Bélgica, Bulgária, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Países Baixos, Espanha e Reino Unido.

Os resultados derivados deste estudo comprovaram que, de um total de 197 indivíduos identificados enquanto “terroristas jihadistas”, 144 deles (o equivalente a 73%) passaram mais de metade da sua vida em países pertencentes ao bloco europeu. “Este facto leva à conclusão provisória de que o terrorismo na Europa não é um subproduto da crise migratória de 2015”, lê-se ainda no relatório.

Além disso, a investigação determinou ainda que a percentagem de pessoas que passaram a maior parte da sua vida na UE é “ainda mais elevada” olhando para a categoria dos “criminosos que se tornaram terroristas”, fixando-se nos 86% (48 em 56 indivíduos).

Factos como estes levaram os autores do estudo a concluir que “a jihad europeia” foi predominantemente “cultivada” dentro do próprio espaço da União Europeia, embora não sejam de desconsiderar os “contributos significativos de indivíduos naturalizados e de estrangeiros que passaram relativamente pouco tempo” no bloco europeu para o robustecimento da mesma.

Perante estes dados, é falso que a maioria dos terroristas islâmicos identificados na União Europeia sejam imigrantes ilegais.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto "EUROPA". O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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