“Olhem aí a mineradora da Noruega destruindo o meio ambiente na Amazónia”, alerta-se numa publicação no Facebook, na qual se assegura que Lula da Silva “vendeu o solo para a Noruega em documento secreto”.

Segundo o autor da mensagem, acompanhada por uma imagem da maior floresta tropical do mundo, a empresa da Noruega ”arrecada mais de dois bilhões [dois mil milhões] ao ano e devolve 180 milhões para consertar o estrago que ela mesmo faz na Amazónia”. 

Lula noruega amazónia

Verdade ou falsidade?

De acordo com a plataforma de verificação de factos "Checamos", da Agence France-Presse (AFP), a imagem mostra um depósito de resíduos da empresa Hydro Alunorte que é detida em 34,26% pelo Estado norueguês.

No entanto, não é verdade que tenha sido Lula da Silva a vender o solo, visto que a Constituição do Brasil prevê que os recursos minerais pertencem à União Federal, pessoa jurídica de direito público interno a quem cabe exercer as prerrogativas da soberania do Estado brasileiro. Na página oficial do Serviço Geológico do Brasil também se informa que o proprietário do terreno não é dono do subsolo.

A Hydro Alunorte comprou a Mineração Paragominas, uma empresa brasileira que tem permissão governamental para explorar a mina de bauxita Paragominas e que antes era detida pela Vale. A transação não decorreu secretamente, como explica o "Checamos", visto que as negociações foram publicadas nos sites de ambas as empresas.

Sobre a alegação do rendimento que a exploradora tiraria da mina, a Hydro explicou à equipa de verificação da AFP que, em 2018, a receita total foi de 22 mil milhões de coroas norueguesas - pouco mais de 2,3 mil milhões de euros, de acordo com a cotação à data.

Conclui-se assim que é falso que Lula da Silva, antigo Presidente do Brasil, tenha vendido o solo da Amazónia à Noruega.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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