Um excerto de um vídeo de uma entrevista entre um suposto diácono e uma jornalista boliviana começou a propagar-se pelas redes sociais esta semana. Lula é acusado pelo dito diácono, que dá pelo nome de Jorge Sonnante, de ter uma conta de 249 milhões de euros no Banco do Vaticano, também conhecido como Instituto para as Obras de Religião (IOR).

Na entrevista são citados outros presidentes e ex-presidentes da América do Sul, que também teriam contas milionárias no banco da Santa Sé. O vídeo completo conta já com mais de 40 mil visualizações no YouTube.

O suposto diácono explica: "Assim teriam que lavar o dinheiro que vinham da obra pública, dos ingressos minerais e tantas outras coisas que roubavam e roubam em cada um dos países. Não tem como justificar, nunca teriam como justificar esses milhões." À pergunta da jornalista, de quanto teria Lula no Vaticano, Jorge Sonnante consulta um documento e diz: "Lula...249 milhões na conta 00132495311. 11 é classificação de conta nova."

Lula encontra-se preso desde 2017, tendo sido condenado por crimes de prática de corrupção e lavagem de dinheiro. Mas será verdade que o ex-presidente brasileiro tem uma conta no Vaticano de 249 milhões de euros? Verificação de factos.

A história não é recente. Em Janeiro de 2019, o jornal "El Expediente" publicou uma reportagem na qual se afirmava que Santos (ex-presidente da Colômbia) teria utilizado o Banco do Vaticano para esconder dinheiro, juntamente com outros presidentes e ex-presidentes de esquerda. Na notícia são referidos Cristina Fernández, Lula da Silva, Evo Morales, Rafael Correa, Raúl de Castro, Daniel Ortega e Nicolás Maduro. O repórter do "El Expediente" publicou também supostas provas na sua conta do Twitter.

Na altura em que começou a circular esta informação, Alessandro Gisotti, diretor interino da imprensa da Santa Sé, declarou à imprensa que não havia qualquer político sul-americano com contas bancárias no Vaticano: "Depois de verificar com as autoridades competentes, posso afirmar que nenhuma das pessoas mencionadas no artigo do El Expediente teve, ou tem, uma conta bancária no IOR. (...) Os documentos apresentados como prova são falsos. O IOR reserva-se no direito de tomar medidas legais.", concluiu.

Segundo a Infodecom, Jorge Sonnante é um falso diácono, conhecido por fazer falsas acusações ao Papa Francisco e forjar documentos. A plataforma de fact checking Colombia Check e o jornal La Stampa analisaram os documentos tidos como provas, tendo encontrando diversas inconsistências (pode ver aqui e aqui).

Uma das maiores contradições de um dos documentos apresentados é a língua em que está escrito. Sendo a língua oficial do Vaticano o italiano, não faz sentido que esteja escrito em espanhol. A assinatura de Jean-Baptiste de Franssu, presidente do IOR, foi também apontada como tendo sido forjada.

Vários jornais de fact-checking de países da América do Sul já desmentiram estas informações. Não há nenhum presidente ou ex-presidente sul-americano com contas milionárias no Banco do Vaticano.

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