"Deus tenha piedade desta pobre alma", comenta-se no topo da publicação. Lula da Silva, antigo presidente do Brasil, é o protagonista da mesma, aparecendo numa imagem associado a duas supostas citações.

A primeira, numa espécie de mistura entre o que terá dito e a interpretação das suas palavras por outrem: "Eu quero é que os meus inimigos sejam derrotados".

A segunda, mais explicitamente uma citação atribuída a Lula da Silva, com data de 17 de agosto de 2021: "Lamento que as mulheres estejam sofrendo com os taliban, mas eu estou feliz porque os taliban representam uma derrota dos EUA".

No entanto, o facto é que não encontramos qualquer registo da suposta declaração de Lula da Silva.

Aliás, a autenticidade da citação foi analisada pelas plataformas de verificação de factos brasileiras AFP Checamos, Aos Fatos, Agência Lupa e Boatos.org. Todas chegaram à mesma conclusão: é falso que Lula da Silva tenha proferido tal declaração, congratulando o regresso dos taliban ao poder no Afeganistão por representar uma "derrota dos EUA".

No dia em causa, 17 de agosto, Lula da Silva participou em dois eventos públicos no Piauí - uma transmissão ao vivo com militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e uma ação "em defesa da educação e do combate à pobreza" -, mas nunca mencionou os taliban ou o tema do Afeganistão, de acordo com o AFP Checamos que ouviu na íntegra ambos os discursos.

Nas contas oficiais de Lula da Silva no Twitter e no Facebook também não é possível encontrar a declaração atribuída ao antigo presidente. A única publicação recente em que Lula da Silva menciona os taliban foi feita no dia 24 de agosto, mas a mensagem é diferente: "É lamentável que o Brasil tenha se tornado pária internacional. Ninguém convida o Bolsonaro pra visitar nenhum país. E nenhum chefe de Estado quer visitar o Brasil. Ninguém quer aparecer do lado dele… Se bem que agora é capaz que o Talibã convide o Bolsonaro…"

A própria assessoria do antigo presidente brasileiro também já desmentiu o teor das publicações que circulam nas redes sociais e atribuiu a responsabilidade a apoiantes de Jair Bolsonaro, atual presidente, que "vem promovendo fake news de forma sistemática".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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Falso
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