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Luís Montenegro: “Pedro Nuno Santos e mais 14 demitiram-se durante dois anos de maioria absoluta”

Política
O que está em causa?
O líder do PSD quis ripostar as acusações do adversário de que "a direita é a bagunça" que "teria consequências em Portugal". Esta tarde, em declarações aos jornalistas, Luís Montenegro defendeu que a "bagunça interna" do PS, essa sim, está "mais que demonstrada" e prova disso são as 15 demissões no Governo de maioria absoluta. Mas terá o social-democrata feito bem as contas?

Esta terça- feira, Pedro Nuno Santos acusou  a direita de ser uma “bagunça“. Segundo o líder do PS, “André Ventura quer Luís Montenegro, Luís Montenegro prefere Rui Rocha e Luís Montenegro e Rui Rocha não querem André Ventura”. Isto revela, aos seus olhos, que “a direita é a bagunça, só que essa bagunça teria consequências em Portugal se por acaso eles tivessem a vitória”.

Em reação, Luís Montenegro disse esta tarde que Pedro Nuno Santos “em vez de falar das pseudo-bagunças dos partidos, devia olhar para a sua esclarecida, mais que demonstrada, bagunça interna”. E acrescentou o seguinte: “O doutor Pedro Nuno Santos foi demitido de alguma maneira – embora tenha apresentado um pedido de demissão – do Governo, ele e mais 14 com ele durante dois anos de maioria absoluta.”

Quem também usou o mesmo argumento foi Rui Rocha, que lembrou que “tivemos um Governo, que ainda está em funções por pouco tempo, que teve 14, 15 demissões, uma delas foi de Pedro Nuno Santos”. O liberal defendeu ainda que “os amigos preferenciais de Pedro Nuno Santos, Mariana Mortágua e Paulo Raimundo, deitaram um Governo do PS abaixo” e, na sua perspectiva, “não há mais bagunça do que essa”.

Têm razão?

De facto, Pedro Nuno Santos foi um dos três ministros que apresentou a demissão durante a governação de maioria absoluta liderada por António Costa. Vamos à cronologia: primeiro, a 2 de maio de 2022, e apenas 33 dias após tomar posse do cargo de secretária de Estado da Igualdade e Migrações, Sara Guerreiro pediu a exoneração, por motivos de saúde.

Seguiram-se as demissões no Ministério da Saúde, a 30 de agosto de 2022, da ministra Marta Temido – “por entender que deixou de ter condições para se manter no cargo” – e, subsequentemente, do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, e da secretária de Estado da Saúde, Maria de Fátima Fonseca.

Poucos meses depois, no dia 10 de novembro de 2022, a “Operação Teia” abana novamente o Governo com Miguel Alves a ser acusado crime de prevaricação. Ainda que garantisse estar de “consciência tranquila”, Alves demitiu-se.

No mesmo mês, na sequência de desentendimentos com o ministro da Economia, António Costa Silva, foram exonerados dois secretários de Estado: o da Economia, João Neves, e a do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques.

E em dezembro o polémico caso da indemnização de meio milhão de euros a uma ex-administradora da TAP – Alexandra Reis – que entretanto tinha saltado para a NAV e mais recentemente para o Governo, no cargo de secretário de Estado do Tesouro, que acabaria por derrubar Pedro Nuno Santos.

Alaxandra Reis demitiu-se e arrastou consigo o então ministro Pedro Nuno Santos e secretários de Estado das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, e da Habitação, Marina Gonçalves.

Ou seja, entre a tomada de posse do terceiro Governo de Costa e o final desse ano ocorreram 11 demissões, duas das quais ministros.

O novo ano não mudou a tendência e em janeiro foi a vez de Rui Martinho, secretário de Estado da Agricultura, abandonar o cargo por motivos de saúde. A sucessora, Carla Alves, não chegou a cumprir mais do que 24 horas de mandato, devido a um processo judicial que envolvia o marido.

E durante sete meses tudo parecia ter acalmado nesta “troca de cadeiras”, até que chegou julho de 2023 quando foi exonerado o secretário de Estado da Defesa Nacional, Marco Capitão Ferreira, após ter sido alvo de buscas policiais na sua residência e no Ministério da Defesa Nacional.

Chegamos a novembro de 2023 e cai mais um ministro. João Galamba, ministro das Infraestruturas, foi constituído arguido no inquérito sobre os negócios do lítio e hidrogénio verde, acabando por levar à saída do Governo. Mas não saiu sozinho,  acompanhou-o Pedro Cilínio, secretário de Estado da Economia.

Em suma, abandonaram o Governo de Costa três ministros e 13 secretários de Estado. Mas, dos secretários de Estado, dois saíram do cargo por motivos de saúde: Sara Guerreiro e Rui Martinho.

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Avaliação do Polígrafo:

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